Turismo: Especialista chama atenção para a importância da preservação da identidade histórica/cultural

Mindelo, 30 Mar (Inforpress) – O conferencista Irlando Ferreira considerou hoje, no Mindelo, que para se tirar proveitos económico, social e cultural daquilo que São Vicente oferece no campo turístico “é fundamental” preservar a identidade histórica e cultural da ilha.

O também director do Centro Nacional de Artesanato e Design (CNAD), que falava na manhã de hoje na mesa-redonda sobre “Turismo urbano, cultural e náutico”, abordou o tema “Turismo cultural – eventos culturais, música, dança, gastronomia e marca Cesária Évora como produtos turísticos”.

Essa herança histórica/cultura, referiu, é reflectida através da música, da dança e da gastronomia, que podem levar a um turismo cultural nesta ilha, que já tem esta apetência.

“Não se pode perder a identidade, ou seja fazer coisas para agradar ao turista, mas sim fazer com naturalidade e, com a procura desse destino pela particularidade, criar mecanismos de potenciar, desenvolver e promover tudo o que a cidade oferece como produto turístico”, observou a mesma fonte, que reprova a representação só para agradar o turista.

“Não se pode representar quando partilhamos a morabeza com os turistas, por exemplo, e isso tem que se manter, pois a partir do momento que começamos a agradar para atrair os turistas logo vamos perder o potencial”, concretizou Irlando Ferreira, para quem o que diferencia Cabo Verde dos outros destinos é a sua identidade histórica e cultural.

“E essa não deve ser perdida”, reforçou.

Em relação ao espaço urbano, o conferencista defendeu a sua preservação pois, caso contrário, aludiu, ele vai descaracterizando-se e perde-se aquela a importância do espaço urbano de fruição cultural e de visita.

“É nesse sentido que é importante uma reflexão sobre o que se quer de São Vicente daqui a 10/20 anos para que seja possível potenciar esse capital turístico que se está a projectar para o futuro”, lançou.

Da mesa-redonda do Mindelo, Irlando Ferreira espera que saiam apontamentos que ajudem os decisores a tomar acções “mais acertadas” pois, apontou, com a “pressão do mercado” há muitas decisões que podem revelar-se “danosas”, falando concretamente no centro urbano.

A mesa-redonda “Turismo urbano, cultural e náutico” é uma iniciativa do Ministério da Economia e Emprego, que junta, durante dois dias, o Governo, as autarquias, investidores e operadores para análise do sector no horizonte 2030.

Vem na sequência de outras duas que já se realizaram nas ilhas da Boa Vista, em Janeiro, e de Santo Antão, em Fevereiro, versando, respectivamente, os segmentos “sol e praia” e “turismo rural e de natureza”.

AA/CP
Inforpress/Fim