São Vicente/Festival: Pano da 33ªedição baixou ao som do funk/pop do brasileiro Naldo Benny

 

Mindelo, 14 Ago (Inforpress) – Foi ao som de temas quentes do funk/pop que Naldo Benny, do Brasil, agitou as últimas horas da 33ª edição do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas, certame que se inciou na sexta-feira, 11.

Embora às 03:30, em que inciou a sua actuação, não tenha encontrado a “casa cheia” que marcou os três dias do evento, o artista, mesmo assim, enalteceu os resistentes da noite, e eram muitos, até porque daqui a poucos horas começa mais uma semana laboral.

Naldo Benny, que chega pela primeira vez a Cabo Verde e a  África, é considerado no seu país o novo fenómeno Pop, e assume ter sido influenciado por nomes sonantes como Chris Brown e Kanye West.

Mas o terceiro e último dia do festival ficou marcado por um atraso de cerca de três horas no arranque da música no palco da baía, o que ficou a dever-se à chegada tardia dos artistas do projecto “Raptrospektiva” à Baía das Gatas, que a organização justificou com “motivos operacionais”, embora à hora prevista para a actuação tudo estivesse pronto no campo técnico.

Assim, só por volta das 18:00 principiou a viagem no tempo dos 20 anos da história do movimento rap em São Vicente, numa tentativa, lembrou DJ Letra, de trazer os momentos marcantes das duas gerações.

Do palco DJ Letra lembrou os colegas do movimento já falecidos como Boxi e Elizender.

De Ice Company, o grupo pioneiro e que liderou a primeira geração do hip hop em São Vicente, passando Bairro Norte, Irmãos Para a Vida (IPV) e Black Side, todos foram lembrados, alguns dos quais representados por ex-membros da primeira geração no palco.

Lod Escur, Hip Hop Art, Double HB e Bairro Turbulent, todos da segunda geração, e MadRappers e Batchart,  os mais recentes, subiram ao palco.

O dia três do festival ficou ainda marcado pela actuação de um colectivo de vozes, que reuniu nomes de jovens interpretes como Débora Paris, Odailine Tavares, Josimar Gonçalves, Daianira Veríssimo e Sílvia Medina, e os estilos coladeira, morna, reggae, funk e zouk.

Élida Almeida, que se seguiu no alinhamento, por seu lado, chegou ao festival dois anos depois, portanto sucessos ainda “quentes” na retina dos fãs, ela que lançou recentemente o EP “Djunta Kudjer”.

Temas como “Lebam ku bo”, Di mi ku di bo” e  “Tomam el”, de entre outros, foram contados também pelo público e, no fim, deu conta do “enorme prazer” em cantar para um “público maravilhoso” como o da baía, lembrado que é a primeira vez que actuou sozinha no festival, já que, da outra vez, dividiu o palco com a colega Ceuzany.

A artista aproveitou a oportunidade para anunciar que está a preparar mais um album, com “dez músicas novas”, cujo lançamento deve ocorrer em Outubro.

A recta final do 33º Festival da Baía das Gatas reservou ainda espaço para os shows do grupo santiaguense Ferro Gaita, que percorreu os sucesso de 22 anos de existência, e a dupla de São Tomé e Príncipe, Badoxa, ambos bem recebidos pelo público.

O Festival Internacional de Música da Baía das Gatas teve a sua primeira edição no dia 18 de Agosto de 1984, é realizado anualmente na praia do mesmo nome, a oito quilómetros da cidade do Mindelo.

Desde àquela data apenas em 1995 não se realizou, devido a uma epidemia de cólera que assolou Cabo Verde.

Anualmente, a Câmara Municipal, que organiza o evento, reserva uma verba de 15 mil contos no orçamento municipal para fazer face às despesas com a logística, viagens e cachets de artistas, contando também com parceiros e patrocinadores que financiam a “maior parte do bolo”.

AA

Inforpress/Fim