São Vicente: Ulisses Correia e Silva diz que actual Governo é alheio à localização do campus universitário

 

Mindelo, 29 Jun (Inforpress) – O primeiro-ministro pediu hoje, em São Vicente, que se deixe o seu governo de fora da discussão à volta da localização do campus universitário da Uni-CV por não ter estado nem na base da decisão nem da escolha.

“Manifestações que possam ser feitas ou indignação relativamente à localização podem ser legítimas, mas deixem-nos fora relativamente a este assunto porque não estivemos nem base da decisão nem na base da escolha”, ajuntou Ulisses Correia e Silva, quando, ao fim da manhã de hoje, discursava na sessão de boas-vindas, nos Paços do Concelho de São Vicente, primeira etapa de uma visita de dois dias à ilha.

O chefe do Governo aproveitou, então, para explicar o processo que desembocou no lançamento da primeira pedra do campus recentemente na Cidade da Praia que, segundo disse, iniciou-se em Novembro de 2014 quando o então Governo de Cabo Verde expressou à República Popular da China o desejo de construir um campus universitário.

No dia 18 de Janeiro de 2016, continuou o primeiro-ministro, foi assinado entre os governos de Cabo Verde e da China o acordo de execução do projecto, em que, “expressamente”, vinha estipulado que seria construído na Zona K, no Palmarejo, ilha de Santiago.

“O meu Governo não tinha e não tem nenhuma condição para alterar um acordo assinado em nome do Estado de Cabo Verde”, sintetizou o primeiro-ministro, ajuntando que o mesmo se encontrava em condição de contratualização e indicação de quem seriam os empreiteiros a executar, os aspectos técnico e todo o projecto executado e elaborado na perspectiva de uma localização já pré-definido.

Minutos após a sessão de boas-vindas, abordado pelos jornalistas sobre uma manifestação marcada para o dia 05 de Julho em São Vicente, Ulisses Correia e Silva declarou que está a fazer “apostas fortes” em São Vicente e que “não há razão” para se apontar o dedo ao seu Governo.

“Se as coisas existiram, não é connosco”, precisou.

Questionado se vai manter a localização do campus na ilha de Santiago, respondeu que sim, pois quando chegou ao Governo, ajuntou, o acordo de execução já existia.

“Se fossemos nós a escolher no início do processo talvez poderíamos ter uma outra opção mas não posso alterar a opção que vincula o Estado de Cabo Verde”, observou.

Os jornalistas questionaram ainda se, da mesma forma que o actual Governo alterou várias medidas do governo do PAICV, sobretudo no Ministério da Cultura, se podia alterar em relação ao campus universitário, respondeu que estas e outras são “medidas de política”.

“Não se pode falar da extinção de um Ballet Nacional, por exemplo, quando estou a falar de um campus universitário que envolve outro país, que financia, e que já tem acordo, não se pode comparar com medidas de política”, concluiu Ulisses Correia e Silva.

AA/ZS

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