São Vicente: UCID pede ao Governo para cumprir as promessas em direcção ao sector da Educação

 

Mindelo, 19 Jun (Inforpress) – A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) pediu hoje ao Governo para cumprir as promessas que fez para o sector da Educação, a começar por “mais bolsas e mais oportunidades” para os jovens.

Em conferência de imprensa para marcar o fim de mais um ciclo de visitas ao círculo eleitoral de São Vicente, a deputada Dora Pires explicou que desta vez os três deputados da UCID priorizaram a educação como “factor-chave” do desenvolvimento da sociedade.

Pelo quadro encontrado, sustentou a mesma fonte, os deputados retiraram a conclusão de que “se podia ter feito mais do que se fez”, pois, enumerou, a escolas secundárias da ilha continuam à espera de obras, o número de bolseiros “diminuiu drasticamente” e “todas as escolas se queixam” do regime de faltas do 7º e 8º anos que, pede a deputada, deve ser mudado.

O actual regime, concretizou Dora Pires, “facilita” que o aluno dê muitas faltas, “principalmente” os de 17 e 18 anos, que não deviam estar com os alunos de 11 e 12 anos, pois, sustentou, aqueles trazem “más influências” aos mais novos.

A deputada mostrou-se igualmente crítica em relação àquilo quer designou de mudança do sistema educativo, a entrar em vigor em Setembro, e que considerou não ter sido bem socializada, já que “nem todas as escolas reagiram e nem deram sugestões”.

“Ao longo de 28 anos vamos na sexta mudança da matriz, o que é muito, sem avaliar o anterior, sem fazer achegas”, considerou Dora Pires, que pediu ao Governo que tenha atenção ao novo sistema o qual, na sua opinião, deverá ser adequado à realidade do país, sua identidade e cultura, e que seja ainda integrada a disciplina de Educação para a Cidadania.

Esta, segundo Dora Pires, foi retirada do novo sistema, mas a deputada considera trata-se de um erro, pois, sintetizou, deve fazer parte do currículo e não ser transversal as todas as disciplinas, até porque há jovens a concluir a sua formação na Uni-CV e outros já no 3º ano com perfil de professor para a disciplina.

“Ao concluírem o curso irão ficar no desemprego, pois a sua formação ficou sem sentido com esta nova matriz curricular”, ajuntou a deputada.

No âmbito da entrada em vigor do novo sistema educativo, Dora Pires revelou ainda preocupação com o pré-escolar pois, conforme explicou, o ensino passará a ser feito na língua portuguesa, “sem tempo de preparação/sensibilização” dos monitores e professores.

“E onde fica o direito da criança ser escolarizada na sua língua materna e o apelo da UNESCO às ex-colónias para o ensino da língua materna”, questionou Dora Pires, que pede ainda, à semelhança do Mandarin e do Espanhol, a introdução do Alemão e do Latim como disciplinas opcionais no ensino secundário.

Durante as visitas da semana passada, os deputados da UCID deslocaram-se às escolas secundárias da ilha, à delegação do Ministério da Educação, ao Instituto Universitário de Educação (IUE) e à vice-reitoria da Universidade da Cabo Verde (Uni-CV).

AA/CP

Inforpress/Fim