São Vicente: “Turismo tem que servir as pessoas nas ilhas” – vice-primeiro-ministro

Mindelo, 15 Jun (Inforpress) – O vice-primeiro-ministro considerou hoje, no Mindelo, que o turismo tem que servir as pessoas nas ilhas e, particularmente, o turismo de cruzeiros “tem que ser com as pessoas e para as pessoas”.

Olavo Correia, que discursava no acto de assinatura, com o fundo holandês Orio, de um donativo de 10 milhões de euros (1,1 milhões de contos) para a construção do terminal de cruzeiros de São Vicente, salientou que a ideia, com a infra-estrutura, é Mindelo e Cabo Verde “abrirem uma porta para o mundo” para fazer as pessoas felizes.

Depois de agradecer ao governo holandês pelo donativo, de tecer elogios a São Vicente, “ilha considerada um grande livro aberto em pleno Atlântico Médio”, o também ministro das Finanças lembrou que a ambição do Governo “é do tamanho do mar e do mundo”, mas que para lá chegar é preciso “acreditar e confiar”.

“O Governo não traz felicidade às pessoas, ao Governo cabe criar as oportunidades e depois cada um saberá tratar melhor do seu destino”, concretizou o vice-primeiro-ministro, para quem, viabilizada a engenharia financeira, estão agora criadas as “todas as condições” para se ter o terminal de cruzeiros de São Vicente no prazo previsto de dois anos.

“Foi um percurso difícil, mas o futuro do país não pode ser o enterro do passado, mas construído numa lógica de estafeta”, lançou o governante que, em nome do Governo, agradeceu publicamente a todos os que desde sempre contribuíram para o projecto do terminal.

Olavo Correia aproveitou a oportunidade para lembrar que um investimento de 30 milhões de euros é “grande em qualquer parte do mundo”, daí a “enorme responsabilidade” para o país “não falhar nos prazos, no custo da obra e para garantir uma boa gestão da infra-estrutura” em relação ao futuro.

“O Governo está empenhado em fazer de São Vicente um centro internacional de prestação de serviços nos mais variados domínios, com foco particular na Economia do Mar”, afirmou Olavo Correia, lembrando que para tal é preciso “tempo e confiança”.

“Precisamos de tempo para concluir a obra, mas temos que confiar pois cada pedra colocada é a prova que estamos a trilhar o caminho certo”, concluiu.

O embaixador do Reino da Holanda em Cabo Verde, com residência em Dakar (Senegal), Theo Peters, lembrou, na ocasião, que o seu país e Cabo Verde estão desde sempre “ligados pelo mar”, através dos marinheiros cabo-verdianos que procuraram aquele país europeu. Hoje, precisou, a Holanda tem uma comunidade cabo-verdiana “bem integrada”.

Sobre o financiamento, disse que os responsáveis do seu país entenderam “bem cedo” a importância do projecto do terminal de cruzeiros para a diversificação do turismo no arquipélago, e que a ilha de São Vicente, lado-a-lado com a vizinha Santo Antão, “tem potencial” para atrair “muito e muito mais turistas”.

O projecto do terminal de cruzeiros, cujo concurso para obra deve ser lançado ainda este ano, já é tido como “muito importante” para a economia de Cabo Verde, no entendimento do Governo, pois o mesmo vai ser “naturalmente” uma zona de expansão do Porto Grande, neste momento “bastante congestionado” com a actividade da pesca e de movimentação da carga convencional, entre outros factores.

O terminal de cruzeiros projectado para o Porto Grande de São Vicente terá dois berços de 400 e 350/300 metros, respectivamente, uma profundidade máxima de 11 metros, e será servida por uma gare marítima para passageiros, uma vila turística junto à marginal que vai ter lojas, “free-shops”, restaurantes, bares, pequenos museus e souvenirs.

Números avançados pela Enapor indicam que, actualmente, só em São Vicente, os navios de cruzeiros “deixam mais de 4 milhões de euros/ano”, e que os turistas gastam entre 30 a 40 euros por pessoa, com uma margem de progressão “muito favorável” por se tratar de um negócio que “cresce todos os anos” a nível mundial.

AA/CP

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