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São Vicente: Técnica alerta para crianças a necessitar de “intervenção profunda” por causa de “dependência de drogas ilícitas”

Mindelo, 04 Set (Inforpress) – A técnica das Aldeias SOS de São Vicente Vânia Lopes lançou hoje um “forte apelo” às autoridades para a necessidade de tratamento de um grupo de crianças, sob custódia da instituição, “envolvidas com drogas ilícitas”.

Vânia Lopes apresentava, no Mindelo, na jornada de reflexão sobre crianças em situação de rua em São Vicente, um estudo sobre a estatística e o mapeamento de bairros de procedência e ocorrências, no âmbito da condição das crianças em situação de risco nas ruas do Mindelo.

Actualmente, precisou a responsável, São Vicente tem um total de 53 crianças em situação de rua, 30 sob cuidados das Aldeias SOS, dos quais “apenas um nunca fez uso de drogas ilícitas”.

“Já temos crianças a usar drogas ilícitas fortes e que necessitam de um apoio profundo para tratar a dependência”, concretizou, apelando às autoridades policiais para “atacar” quem vende as drogas pois, ajuntou, as crianças em São Vicente estão a conseguir drogas de forma fácil, a preço de 50 escudos e 100 escudos o “taco”, nomeadamente a cocaína e o haxixe, este misturado com cigarros.

Por isso, pediu às pessoas para não oferecerem dinheiro a meninos na rua, pois o dinheiro geralmente é usado “na droga e na batota”, e constitui uma forma de “aliciamento” a permanecerem mais tempo na rua.

Como instituição, lançou a técnica social, “fica difícil concorrer com a liberdade que a rua lhes dá”, quando dizem que “mendigando” conseguem arrecadar “num dia bom” entre 2000 a 5000 escudos.

Dados avançados por Vânia Lopes indicam que, por faixa etária, desse grupo de 30 crianças e adolescente, nove têm idades entre os 08 e os 14 anos, 18 dos 15 aos 17 anos e três jovens com mais de 18 anos.

Por zonas de proveniência, lidera Ribeira Bote com cinco crianças, logo seguida de Ribeira de Craquinha, com quatro, mas, segundo a técnica, esta é uma realidade que já abrange “quase todas as zonas do Mindelo”, que, no centro da cidade, tem como locais de concentração o Parque Infantil do Mindelo, a Praça Dom Luís, a Rua de Matingim, a Praia de Botes e a Praça Estrela.

Das 30 crianças identificadas, ainda segundo a mesa fonte, apenas seis não foram presentes à polícia ou ao tribunal, sendo que o conflito com a lei é derivado de “roubos e distúrbios na cidade”.

Por fim, a técnica precisou que, quando questionadas sobre as razões de andarem na rua, as crianças alegam motivos relacionados com o vício do dinheiro fácil, a influência de amigos, maus tratos em casa, a pobreza da família e pais dependentes de álcool e droga.

“Este é um problema de toda a sociedade e necessitamos de trabalho no terreno para minimizar esse fenómeno”, reforçou Vânia Lopes.

A jornada de reflexão sobre crianças em situação de rua em São Vicente decorre durante o dia de hoje, e dele se espera, como resultados, a definição de uma estratégia de intervenção para responder à problemática e a assumpção por parte das entidades presentes de “compromissos efectivos” e acção para uma intervenção “conjunta e concertada”.

Da jornada deve sair ainda a constituição do núcleo local de acção para a prevenção e fiscalização de “crianças na e de rua” em São Vicente o lançamento de mais uma edição da campanha “Criança não é de rua”.

AA/CP

Inforpress/Fim