São Vicente/Tartarugas: Estimativas apontam para mais de 200 desovas – activista pede mais atenção na fiscalização (c/áudio)

Mindelo, 23 Ago (Inforpress) – A ilha de São Vicente poderá ter neste ano a desova de mais de 200 tartarugas, uma estimativa avançada pelo activista da Associação Ponta D´Pom, Nelson Lopes, que entretanto pede mais engajamento das autoridades na fiscalização.

Esta previsão, segundo o coordenador de campo, está a ser feita mesmo com os “atrasos” registados no arranque da campanha de fiscalização, implementada pela Ponta D´Pom, em parceria com o Instituto Nacional de Desenvolvimento da Pescas (INDP), e que foi iniciada somente a 18 de Agosto, por causa da “demora no desbloqueamento de verbas” pela Direcção Nacional do Ambiente.

Nelson Lopes apontou ainda como outro condicionante a “impossibilidade” de um dos principais parceiros, o Comando da Primeira Região Militar, que, devido a acontecimentos como o festival Baía das Gatas e do incêndio no Planalto Leste “ não pôde dar a cobertura”, logo no início de Agosto.

Mesmo assim, segundo a mesma fonte, mostra ser um ano “atípico”, em que se regista um “aumento exponencial” também a nível nacional.

“E São Vicente que era uma ilha visitada por época, por uma média de 50-70 tartarugas, neste momento estimamos 200 ou mais pelas previsões que estão a ser feitas”, salientou

Nelson Lopes, para quem este aumento revela-se “impressionante” e já comprovado em locais como a Praia Grande, sítio de maior incidência da fiscalização, onde antes eram encontradas uma ou duas tartarugas, de dois em dois dias, mas agora, no quinto dia da campanha, já se registaram 28 indivíduos.

Números a que se juntam mais seis em Lazareto, que normalmente era visitada por duas tartarugas, no máximo, durante a época de desova.

Mas por outro lado, explicou, devido a demora da campanha ir para o terreno aumentou-se a possibilidade de captura.

“Porque a sensibilização é feita sim, mas se não houver fiscalização, há sempre uma tendência de pessoas, que não são sensibilizadas, a procurar o consumo”, explicou o activista, que avançou com registos de relatos feitos por pessoas locais, por exemplo em zonas como Calhau e Salamansa.

Acontecimentos que, conforme a mesma fonte, encontram dificuldades em controlar devido ao facto de São Vicente ter praias muito distantes umas das outras, mas também devido “a falta de engajamento” de outras autoridades que “também devem fazer esse trabalho”.

Nesse sentido, Nelson Lopes apontou o dedo à Câmara Municipal e também Polícia Nacional, duas instituições que “poderiam ajudar”, inclusive disponibilizando veículos para a fiscalização em praias de difícil acesso.

“Isso poderia diminuir radicalmente o consumo”, garantiu.

Uma ajuda que poderia ser dada, acrescentou, à semelhança do Bombeiros Municipais, que, “mesmo não sendo uma parceira institucionalizada”, tem atendido às solicitações da equipa, “não para socorros, mas normalmente para facilitar o transporte, em altas horas da madrugada”.

Alguns “constrangimentos” que, segundo a mesma fonte, vai-se “deixar de lado” para aumentar a fiscalização que, a partir da próxima semana, vai ser alargada a toda extensão de praia de Norte de Baía à Praia Grande, com cerca de sete quilómetros de comprimento, com a ajuda de 10 voluntários, por dia, auxiliados por militares.

A campanha de protecção de tartarugas marinhas em São Vicente está prevista para até finais de Setembro, mas Nelson Lopes admitiu que gostaria de ter “a felicidade” de que a mesma alongasse até finais de Outubro, término oficial da época de desovas.

LN/JMV

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