São Vicente: “Realidade do país sobre crianças em risco pode levar ao desmoronamento da economia cabo-verdiana” – alerta director Aldeias SOS

Mindelo, 04 Set (Inforpress) – O director das Aldeias SOS considerou hoje, no Mindelo, que a realidade com que Cabo Verde se confronta, hoje, com crianças em situação de risco, pode fazer com que ocorra “o desmoronamento da economia cabo-verdiana”.

É que, segundo Dionísio Pereira, que falava na manhã de hoje, em São Vicente, na abertura de uma jornada de reflexão sobre crianças em situação de rua, “existe o terrorismo turístico mundial”, com vários exemplos, Punta Cana, Tunísia e Marrocos, citou, em que ocorreu a deslocalização turística por via de colocação de engenhos explosivos em determinados espaços, o que provocou “uma certa movimentação e deslocalização turística” para outros pontos.

Cabo Verde tem vivido, referiu, “graças a Deus”, em “situação de tranquilidade”, mas da situação de hoje, de crianças que “estão sujeitas a serem utilizadas como correios de pequenas drogas amanhã”, poderão ser “activistas de colocação de pequenos engenhos ou de grandes engenhos a baixo custo” para a deslocalização do turismo de Cabo Verde para outros pontos.

Dionísio Pereira avançou ainda que pelos dados que disse ter na sua posse, o país “não se encontra sob este risco”, mas, ao mesmo tempo, avisou que “nenhum país do mundo está imune”.

Por conseguinte, precisou, todos têm que ter “consciência desta realidade” e começar a “estancar determinadas manifestações sociais perigosíssimas” e que poderão “destruir a tranquilidade e a paz” que se vive actualmente em Cabo Verde.

O director das Aldeias SOS disse esperar, por isso, que o encontro de reflexão do Mindelo traga “respostas impactantes de médio e longo prazos” e “não em termos apenas imediatos”, para a “resolução em definitivo” da situação de crianças em São Vicente que, “por razões de ordem diversa”, acabam por fazer da rua um espaço privilegiado de permanência.

“Crianças que são fruto da intervenção e acção de todos enquanto cidadãos e autoridades, pelo que em alguma parte algo não terá funcionado e, por conseguinte, acabamos por ter este produto na sociedade”, lançou a mesma fonte, para quem é necessário acreditar que “todos juntos” serão capazes de encontrar soluções para estes problemas que “nós próprios criamos”.

O importante, assinalou, é identificar as melhores alternativas visando pôr termo a esta “triste realidade”.

A jornada de reflexão sobre crianças em situação de rua em São Vicente decorre durante o dia de hoje, e dele se espera, como resultados, a definição de uma estratégia de intervenção para responder à problemática e a assumpção por parte das entidades presentes de “compromissos efectivos” e acção para uma intervenção “conjunta e concertada”.

Da jornada deve sair ainda a constituição do núcleo local de acção para a prevenção e fiscalização de “crianças na e de rua” em São Vicente e o lançamento de mais uma edição da campanha “Criança não é de rua”.

AA/CP

Inforpress/Fim