São Vicente: PTS acusa Clube Golfe do Mindelo de “negociata” com cidadão português para vender os terrenos

Mindelo, 03 Set (Inforpess) – O presidente do PTS, Gilson Alves acusou hoje o Clube de Golfe de estar em “negociata” para vender os terrenos a um português a 22 escudos por metro quadrado, num “processo crivado de irregularidades”.

Gilson Alves, que falava à imprensa no Mindelo fazendo-se acompanhar do vice-presidente do partido, Jailson d´Águiar e do sócio do clube, Luiz Silva, apresentou uma “sinopse” em que afirmou que o processo se “arrasta” desde 2007, em que a então direcção “para espanto dos sócios” decidiu “alienar os terrenos, cerca de 306 hectares e bens imóveis a um promotor português”.

Esta alegada “negociata”, conforme o líder do Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS), transformaria o clube na sociedade anónima Mindel Golf & Resort.

“Esse português compraria o nosso património e a nossa honra por 22 escudos por metro quadrado e vendê-lo-ia por 10 mil escudos por metro quadrado no dia seguinte”, garantiu Gilson Alves, que durante a conferência de imprensa apresentou um documento que alegadamente representa o contrato de venda celebrado entre o clube e o dito promotor.

A direcção actual do Clube de Golfe do Mindelo, eleita em Dezembro do ano passado, conforme o presidente do PTS, “decidiu dar continuidade ao processo” que “é quase como um tique obsessivo de sócios para vender estes terrenos a todo custo e colher os frutos dessa venda”.

“Sabe-se lá os preços que estão dispostos a pagar por essa grande obsessão”, questionou.

Neste sentido, como forma de tomar “as devidas medidas” para proteger este património “que é do povo de São Vicente”, o PTS, ajuntou, apresenta como “solução”, criar o “Parque da cidade do Mindelo”. Uma ideia que pretendem propor à Câmara Municipal logo “de seguida”.

Além do golfe, o “Parque da cidade do Mindelo” conta contemplar, segundo a mesma fonte, outros desportos como ténis cricket, criar novos caminhos vicinais, fiscalização, replantação de árvores e ainda prática de outras actividades como piqueniques e outros.

“E porquê um projecto destes? Porque Mindelo deve segurar a base de um crescimento harmonioso e outras pessoas vão vir para aqui para vivenciar esse espaço que construiremos para nós”, avançou Gilson Alves, para quem São Vicente precisa de “um verde acessível e dentro dos limites da entrada da cidade”.

Desta forma, pretende-se propor à edilidade a “expropriação com caráter de urgência” dos terrenos e bens ao clube de golfe e ainda criar uma fundação para gerir o referido parque e proteger a área “não para agora e amanhã, mas para sempre”, assegurou o líder trabalhista.

Um projecto que “ganhou a confiança” do sócio Luiz Silva, também presente na conferência e para quem a venda “desrespeita” a decisão dos sócios fundadores e também “a história vivida por meninos de Monte e Dji d´Sal”.

“Estão a vender a nossa alma e nossa ilha”, acusou Luiz Silva, que lembrou “momentos históricos” da época colonial com a realização de campeonatos de golfe, em que cabo-verdianos venceram até ingleses.

Por seu lado, o presidente do Clube de Golfe do Mindelo, Gabriel Delgado, contactado pela Inforpress para exercer o contraditório, afirmou que actual direcção está “concentrada em vários desafios”, entre os quais adoptar os estatutos “aos novos tempos”, modernizar infra-estruturas, fazer o reordenamento dos terrenos e outros.

“Por isso não temos tempo para delírios esquizofrénicos de comunistas e nem para devaneios de anacrónicos que vivem ainda nos tempos dos ingleses”, garantiu Gabriel Delgado, que acrescentou já ter dado instruções ao advogado do clube para abrir um processo-crime contra Gilson Alves e contra o jornal A NAÇÃO, que no dia 31 de Agosto publicou uma notícia afirmando que pretendem vender os terrenos.

Gabriel Delgado disse também que “qualquer sócio” que se “aliar” ao Gilson Alves vai ser alvo de processo disciplinar e ainda de expulsão, por decisão da Assembleia-Geral. “Mas espero que isso não venha a acontecer”.

Quanto ao Luiz Silva, segundo a mesma fonte, já não é sócio do clube uma vez que deve mais de 12 anos de quota, “além de outras dívidas”.

LN/FP

Inforpress/Fim