São Vicente: Projecto de teatro jovem apresenta espectáculo com “visão futurista”

Mindelo, 03 Set (Inforpess) – O Projecto Lusófono de Teatro Jovem – K Cena apresenta nos dias 15 e 16 deste mês “A Conferência dos Cegos”, um espectáculo com uma “visão futurista” do tempo pelos olhos de adolescentes.

A informação foi avançada à Inforpress, no Mindelo, pelo encenador João Branco, que explicou que o K Cena é um projecto nascido em 2012, em Viseu (Portugal), e foi sempre baseado no intercâmbio entre os encenadores das cidades Viseu, Mindelo (Cabo Verde), Salvador da Baía (Brasil).

“O projecto viveu até então da circulação dos encenadores entre as cidades para a encenação das peças”, explicou João Branco, que coordena a parte cabo-verdiana.

Uma realidade que conheceu agora em 2018 uma “nova vertente”, tendo em conta que, apostando na dramaturgia, decidiu convidar quatro jovens dramaturgos, dois portugueses, Gabriel Gomes e Sofia Moura, um brasileiro, Rafael Medrado, e uma cabo-verdiana, Lisa Reis, para participarem numa residência artística, realizada em Portugal.

A partir daí, segundo a mesma fonte, nasceu um texto escrito a oito mãos, por quatro pessoas, e que criou o “Tempostade”, ensaio que serve de base para os espectáculos montados nos três países.

“O Tempostade é uma espécie de reflexão em relação ao futuro, sobre como é que estamos a usar o tempo que temos e como o estaremos a usa-lo no futuro”, lançou o encenador cabo-verdiano.

Mas, para já, trata-se de uma criação que, conforme a própria Lisa Reis, mostra-se “muito louco” e com uma realidade “que ninguém está à espera”.

“Essencialmente, disseram que cada um deveria criar cinco personagens que não sabíamos que iam se encontrar um dia, e assim acabámos por criar algo muito louco”, salientou a jovem, à Inforpress.

No Brasil, estreou com o título Temporal, em Portugal apresentou-se com o título original Tempostade e em Cabo Verde ganha o nome de “A Conferência dos Cegos”.

Uma peça que, como adiantou João Branco à Inforpress, está a ser encenada com o “Ganga”, oficina de teatro para adolescentes da Academia Livre das Artes Integradas do Mindelo (ALAIM), cuja faixa etária vai dos 14 aos 17 anos.

“A nossa leitura do texto é de comos os adolescentes veem o tempo, como vão estar no futuro a ver o tempo de hoje”, disse a mesma fonte, que acrescentou pretender levar ao palco um registo “meio futurista” em que todos os personagens são cegos, a excepção de uma, que é muda.

“É uma metáfora muito forte nos dias de hoje em que acabamos por estar todos manietados por uma espécie de rede de informação, capitalista e global que nos torna todos cegos”, criticou João Branco, que destaca a importância do teatro para este tipo de reflexão.

“A Conferência dos Cegos” vai ser apresentada nos dias 15 e 16, no Centro Cultural do Mindelo, e, como ajuntou, um “figurino do futuro” que recebe a maior parte do investimento.

“Todo um cenário construído por 15 jovens, três rapazes e 12 meninas” e que, conforme João Branco, têm pela frente “um texto muito difícil” e com particularidades de ser escrito por oito mãos.

“Exigiu muito deles, tanto que estamos há dois meses só a trabalhar a vertente da dramaturgia”, concretizou e encenador, prometendo um espectáculo “que vai surpreender as pessoas”.

Entre os temas tratados pelo projecto K Cena, nestes seis anos, estão Peter Pan, Dom Quixote, O Medo, A Grande Ressaca e Rei Ubu e agora “Tempostade”.

LN/CP

Inforpress/Fim