São Vicente: Presidente do IPC classifica de “grandioso evento científico” conferência sobre património cultural e histórico subaquático

 

Mindelo, 02 Nov (Inforpress) – O presidente do Instituto do Património Cultural (IPC) considerou hoje, no Mindelo, que a conferência internacional “Património cultural e histórico subaquático” é  um “grandioso evento científico”, enquanto espaço de reflexão científica de “uma das temáticas prioritárias” do IPC.

Jair Fernandes, que falava na abertura do evento, no salão de conferências do Centro Nacional de Artesanato e Design (CNAD), reconheceu, por outro lado, o papel do património cultural como um dos “principais veículos” de “cooperação e irmandade” entre os povos, sintetizou, no momento em que se celebra uma das trágicas efemérides da 1ª Guerra Mundial testemunhados pelos mares de Cabo Verde, mais concretamente pela Baía do Porto Grande.

O responsável referia-se ao afundamento dos navios brasileiros Acary e Guahyba submersos por submarinos alemães durante a 1ª Guerra Mundial, na baía do Porto Grande do Mindelo.

O património cultural subaquático, assinalou a mesma fonte, constitui uma via “extremamente valiosa” para o estudo e conhecimento do quotidiano antigo, das condições de vida a bordo, das técnicas de construção naval, rotas comerciais e os corredores de intercâmbio antropológico e cultural.

A conferência aberta hoje no Mindelo é uma iniciativa conjunta do Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura (M_EIA) e das embaixadas de França, Portugal e do Brasil, e assinala o 1º centenário de naufrágios da 1ª Guerra Mundial no Porto Grande (Mindelo), “centenário do torpedeamento dos navios Acary e Guahyba (1917-2017).

Trata-se, de acordo com a organização, de uma “oportunidade singular” para revelar e valorizar o património cultural subaquático através da troca de conhecimentos e experiências entre países de três continentes banhados pelo Oceano Atlântico.

Nela participam conferencistas, académicos e investigadores da área, nacionais e estrangeiros com “vasto currículo” no domínio do património e da investigação subaquática, de países como Cabo Verde, Brasil, Portugal, Marrocos e Senegal.

A conferência decorre durante dois dias, sendo o primeiro dedicado a apresentação e o debate de vários painéis, entre eles “O património cultural subaquático da época contemporânea; Cabo Verde durante a 1ª Guerra Mundial; Protecção do património cultural subaquático”.

O segundo dia, para além da apresentação de outros temas, está reservado à pré-estreia mundial do documentário “Cabo Verde – uma história imersa”, o primeiro filme subaquático cabo-verdiano, segundo Leão Lopes.

Da autoria do cabo-verdiano Emanuel Charles d’Oliveira e do francês Erwan Savin, o documentário, de 52 minutos, dá a conhecer a história imersa de Cabo Verde, de “naufrágios, segredos e mistérios” ainda por desvendar e que jazem no fundo dos mares do arquipélago que, desde a sua descoberta é depositário de um “importante património” subaquático de “inegável interesse” histórico e cultural”.

AA/ZS

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