São Vicente/Operação Zorro: Protestos, pedidos indeferidos e acusação à comunicação social marca segundo dia do julgamento

Mindelo, 13 Mar (Inforpress) – A sessão da manhã de hoje do julgamento de quatro cidadãos estrangeiros, a cumprir prisão preventiva, indiciados nos crimes de tráfico de droga de alto risco e de associação criminosa, ficou marcada por alguns incidentes entre os intervenientes.

Tudo começou quando, na sequência da audição de uma testemunha, no caso uma inspectora da Polícia Judiciária (PJ), um dos advogados de defesa acusou o juiz da causa de “condicionar a defesa” aquando da inquirição da mesma, o que levou o jurista a ditar um protesto para a acta.

Logo a seguir, a uma solicitação da defesa no sentido de a PJ disponibilizar ao Tribunal um aparelho de telefone portátil de um dos arguidos apreendido no processo, para que todos tivessem acesso a algumas mensagens nele contidas, o juiz indeferiu o pedido, o mesmo procedimento que adoptou, mais tarde, quando a defesa solicitou a presença do inspector-chefe da PJ, Rui de Pina, para nova inquirição.

A dado momento do julgamento, o representante do Ministério Público, a uma resposta a um advogado de  defesa de um dos arguidos, acusou a Comunicação Social de “estar ao serviço da defesa” neste processo e de, até, ter já “desenvolvido a tese de absolvição” dos arguidos do processo.

A Inforpress procurou o autor da afirmação para concretizar a que órgãos de comunicação social se referia, pois a agência, como órgão de comunicação social, sentiu-se atingida quando prima por uma informação rigorosa, mas não foi possível chegar ao magistrado, o que prometemos fazer na tarde de hoje.

Incidentes à parte, na manhã de hoje foram ouvidos, na qualidade de testemunhas, mais três inspectores da PJ que participaram nas buscas, os quais, no essencial, transmitiram informações similares a dos colegas que os antecederam no dia anterior, e três testemunhas de defesa dos arguidos.

O julgamento prossegue às 14:00, com audição de mais sete testemunhas enroladas pela defesa dos arguidos Daniel Guerra, 36 anos, Daniel Dantas, 43 anos, e Rodrigo Dantas, 25 anos, todos de nacionalidade brasileira, Olivier Thomas, francês, 49 anos.

O Ministério Público acusa os quatro tripulantes do veleiro RichHarvest de tráfico de droga de alto risco agravado e de associação criminosa, após a apreensão, no mês de Agosto do ano passado, na Marina do Mindelo, de 1.157 quilogramas de cocaína, escondidos na embarcação.

Pelo menos três dos quatro tripulantes terão sido contratados, por uma agência de recrutamento de tripulação, denominada “The Yacht Delivery Company”, com sede na Holanda, para transportarem um veleiro de 72 pés, de bandeira inglesa, na rota Natal (Brasil) – Madeira (Portugal).

Daniel Dantas seria chamado mais para integrar a tripulação e os três, movidos pelo sonho de realizarem a travessia do Atlântico e adquirirem experiência (milhas navegadas), sustentam que “não tinham conhecimento” da droga que foi encontrada a bordo do iate na Marina do Porto Grande do Mindelo, até porque a embarcação tinha sido alvo de uma inspecção por parte da Polícia Federal brasileira, antes de largar do porto de Salvador.

AA/ZS

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