São Vicente/Operação Zorro: PJ diz que foi “muito difícil”  chegar à droga escondida no veleiro RichHarvest

Mindelo, 12 Mar (Inforpress) – O chefe da Brigada Anti-Droga da Polícia Judicia (PJ), inspector Rui de Pina, declarou hoje que a PJ encontrou “muitas dificuldades” para chegar à droga escondida no veleiro Rich Harvest, proveniente do Brasil, em Agosto do ano passado.

Estas declarações foram prestadas ao tribunal durante a audiência de discussão e julgamento, na tarde de hoje, de um caso em que quatro arguidos se encontram em prisão preventiva, três dos quais brasileiros e um francês, indiciados nos crimes de tráfico de droga de alto risco e de associação criminosa.

“Só para se ter uma ideia da dificuldade em chegar à droga, iniciamos as buscas cerca das 10:00 e só chegamos à droga depois das 17:00”, indicou o inspector da PJ, explicando que a droga se encontrava acondicionada num sítio de “difícil acesso”.

Para lá chegar, continuou, foi preciso remover um tanque de água de fibra de 600 litros, que se encontrava debaixo de um colchão, um soalho de madeira e um outro de ferro, antes de alcançar a tampa do depósito onde se encontra a droga “já junto ao casco do navio”.

O inspector indicou ainda que a PJ recebeu “informações fidedignas”, uma semana antes, de que a embarcação chegaria a São Vicente com um carregamento de droga.

“Constatámos também que havia no interior da embarcação trabalhos recentes, como pinturas novas com cores diferentes no caminho do sítio onde descobrimos os 1.063 pacotes contendo o total de 1.157 quilogramas de cocaína”, reforçou a mesma fonte.

Um outro inspector da PJ foi também ouvido na tarde de hoje, um operacional que participou nas buscas no navio, praticamente reforçou as declarações de Rui de Pina, quer sobre a forma como a PJ recebeu a denúncia, como também dos procedimentos para se chegar à droga na embarcação.

Na tarde de hoje, foram igualmente presente ao tribunal para as primeiras declarações em sede de audiência de discussão e julgamento os arguidos brasileiros Daniel Dantas, 43 anos, e Rodrigo Dantas, 25 anos, os quais, na essência, negaram a acusação do Ministério Público e disseram que desconheciam a existência da droga à bordo do veleiro.

Por outro lado, o pedido da defesa dos quatro arguidos, nas pessoas dos advogados João Marcelino do Rosário, Félix Cardoso e Osvlado Lima, para a inclusão nos autos do inquérito da Justiça brasileira que, alegadamente, iliba os três marinheiros brasileiros e o capitão francês da acusação do crime de tráfico de droga, não recebeu o aval do Ministério Público.

Trata-se de um “despacho fundamentado” do Departamento da Polícia Federal Superintendência Regional da Bahia, datado de 7 de Fevereiro, mas o Ministério Público indicou que não aceita a junção, com base, alegou o seu representante, em “alguns artigos” da legislação brasileira.

Mas a defesa alega que os “novos factos” constantes no tal despacho oriundo das autoridades brasileiras permite ajudar a “descobrir a verdade material“, os objectivos “de todos” neste processo.

O juiz da causa, por seu lado, prometeu pronunciar sobre a matéria “no momento certo” durante o julgamento.

A audiência de discussão e julgamento prossegue, esta terça-feira, a partir das 08:00 com audição de testemunhas residentes no país e outras que vieram do Brasil, sendo certo que há ainda pedidos de audição de testemunhas via video-conferência.

O Ministério Público acusa os quatro tripulantes do veleiro RichHarvest de tráfico de droga de alto risco agravado e de associação criminosa, após a apreensão, no mês de Agosto do ano passado, na Marina do Mindelo, de 1.157 quilogramas de cocaína, escondidos na embarcação.

Pelo menos três dos quatro tripulantes terão sido contratados, por uma agência de recrutamento de tripulação, denominada “The Yacht Delivery Company”, com sede na Holanda, para transportarem um veleiro de 72 pés, de bandeira inglesa, na rota Natal (Brasil) – Madeira (Portugal).

Daniel Dantas seria chamado mais para integrar a tripulação e os três, movidos pelo sonho de realizarem a travessia do Atlântico e adquirirem experiência (milhas navegadas), sustentam que “não tinham conhecimento” da droga que foi encontrada a bordo do iate na Marina do Porto Grande do Mindelo, até porque a embarcação tinha sido alvo de uma inspecção por parte da Polícia Federal brasileira, antes de largar do porto de Salvador.

AA/ZS

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