São Vicente: Ministro nega que anúncio de garantia de financiamento para porto do Maio seja tentativa para desmobilizar manifestação

Mindelo, 15 Jun (Inforpress) – O ministro José Gonçalves, negou hoje, no Mindelo, que o anúncio do Governo de garantia de financiamento para construção do porto do Maio tenha sido uma tentativa para desmobilizar a manifestação prevista para este sábado naquela ilha.

O titular da pasta da Economia Marítima, pelo contrário, deixou a garantia de que o financiamento “está assegurado” através do Banco Africano do Desenvolvimento (BAD), e que segue agora a preparação para o lançamento do concurso, pois, adiantou, Maio é a única ilha que ainda não se encontra dotada de um porto roll on-roll off, o que cria muitas limitações para a ilha.

“Estamos em democracia e se as pessoas entendem que devem manifestar, não há problemas, mas o nosso desejo era que tivéssemos o porto hoje, mas isso é uma necessidade de há décadas, e que agora vai ser concretizada”, precisou a mesma fonte.

“O Maio tem um grande potencial dentro do turismo de mais alta gama, o que passa por um porto”, afirmou a José Gonçalves, à margem do acto de assinatura, com o fundo holandês Orio, de um donativo de 10 milhões de euros para construção do terminal de cruzeiros de São Vicente.

Aliás, o ministro lembrou que recentemente esteve nas Seychelles, juntamente com o presidente da câmara do Maio, onde foram “estudar um exemplo de turismo de alta gama” em África e retiraram “muitos ensinamentos”.

Questionado sobre como o Governo avalia as manifestações que têm ocorrido no país, primeiro em São Vicente, depois no Sal e na Boa Vista e agora no Maio, José Gonçalves lembrou que Cabo Verde é um “país democrático”, e que o Governo tem a responsabilidade de tudo fazer para melhorar as condições de vida dos seus cidadãos.

“É o nosso compromisso e é para isso que estamos a trabalhar. Mas em democracia desde que se respeitem as normas, o povo tem o direito de se manifestar se assim entender”, concretizou o titular da pasta da Economia Marítima.

“Aí o Governo nada pode fazer, desde que sejam respeitadas as leis e as normas, mas sinal de muita democracia no país”, concluiu.

AA/FP

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