São Vicente: Ministro da Economia considera 2017 “ano charneira” para o turismo em Cabo Verde

Mindelo, 30 Mar (Inforpress) – O ministro da Economia e Emprego considerou hoje, no Mindelo, que 2017 será o “ano charneira” do turismo em Cabo Verde, sector que representa “quase um quarto do PIB” do país, que ainda “não mereceu” o devido protagonismo.

José Gonçalves, que falava na abertura, na manhã de hoje, da mesa-redonda sobre “Turismo urbano, cultural e náutico”, indicou que até 2030 o Governo vai nortear-se pelo desenvolvimento sustentável do turismo, pela sua “transversalidade e imensa importância” como “recurso fundamental” para o desenvolvimento do país.

Daí um conjunto de medidas “estruturantes” que anunciou, a começar pela criação do Instituto do Turismo, que nomeou como “o pilar” que vai “nortear e institucionalizar” o turismo e “colocá-lo dentro do espaço e lugar que merece”, independentemente dos ajustes na governação.

O futuro instituto, concretizou, vai ainda incorporar tudo o que seja Inspecção Geral dos Jogos no intuito da racionalização institucional.

Outra medida que anunciou, ao logo de um discurso de improviso de 27 minutos, é o desenvolvimento de um plano estratégico de desenvolvimento de turismo sustentável com horizonte 2030, que vai orientar o desenvolvimento turístico a nível nacional nos próximos 14 anos.

José Gonçalves informou ainda que Cabo Verde concorreu junto da Organização Mundial do Turismo como candidato a membro do conselho executivo do turismo, cuja eleição ocorre no mês de Setembro, medidas que vão culminar, precisou, no dia 27 de Setembro, Dia Mundial do Turismo, em que serão “acesas as luzes” para a criação de um quadro de turismo sustentável em Cabo Verde.

Também em curso, no campo das novidades, o ministro mencionou a criação de novas sociedades de desenvolvimento turístico nas ilhas de São Vicente, Santiago e Sal, após elogiar a única sociedade existente em Cabo Verde, a das ilhas do Maio e da Boa Vista, pelos “bons frutos” que tem dado.

O Fundo do Turismo, explicou a dado passo, terá uma “nova abordagem”, já que o actual Governo herdou um “pesado legado” da dívida do país, “a maior da sua história”, o que não dá ao Estado manobra de procurar recursos para poder desenvolver o país, nomeadamente citou, a construção do terminal de cruzeiro, previsto para o Porto Grande do Mindelo.

“Não fosse o problema do endividamento, este Governo já se teria comprometido directamente a essa decisão, pois o terminal será mais do que o turismo de cruzeiro”, concretizou José Gonçalves, uma vez que, ajuntou, vai descongestionar o Porto Grande para permitir o desenvolvimento de outras actividades económicas como a logística das pescas.

Detendo-se na ilha de São Vicente, nas suas perspectivas e possibilidade turísticas, José Gonçalves foi peremptório: “São Vicente é a única ilha do país que reúne as condições para todas as modalidades de turismo que se pode praticar em Cabo Verde”.

Em direcção à ilha do Porto Grande, o governante anunciou “sinais” de investidores que estão a pensar em investimentos de vulto em São Vicente, com projectos previstos para Salamansa, São Pedro e outros, “concretos prontos para arrancar”, e outros na calha, que sociedade de desenvolvimento turístico de São Vicente, a ser criada, vai ajudar a potenciar.

Na vertente cultural, José Gonçalves sugeriu o Carnaval do Mindelo como “evento paradigmático” neste aspecto, e fazer dele um “elemento fundamental o ano todo” e uma “peça mestra” desse sector turístico ao lado da câmara e dos privados, e um estudo sobre a economia do evento para mostrar o peso e importância do Carnaval na economia de São Vicente.

“O Governo vai acarinhar, apoiar, criar as condições e facilitar o diálogo para potenciar o desenvolvimento e permitir ao privado investir no sector turístico em São Vicente”, concluiu o ministro da Economia e Emprego.

A mesa-redonda “Turismo urbano, cultural e náutico” é uma iniciativa do Ministério da Economia e Emprego, que junta, durante dois dias, o Governo, as autarquias, investidores e operadores para análise do sector no horizonte 2030.

Vem na sequência de outras duas que já se realizaram nas ilhas da Boa Vista, em Janeiro, e de Santo Antão, em Fevereiro, versando, respectivamente, os segmentos “sol e praia” e “turismo rural e de natureza”.

AA/CP
Inforpress/Fim