São Vicente: Milhares seguem mandingas no já tradicional enterro do Carnaval

Mindelo, 19 Fev (Inforpress) – Uma espécie de “alegre cerimónia fúnebre” marcou domingo, 18, o encerramento das festividades do Carnaval 2018, em São Vicente, em iniciativa protagonizada por mandingas de vários agrupamentos da ilha, e que arrastou milhares de pessoas.

Crianças, adultos, turistas e a juventude mindelense, na sua maioria, marcaram presença nesta manifestação que já faz parte da agenda cultural de São Vicente.

Com a sua dança galopante, os mandingas de vários agrupamentos de São Vicente comandaram o enterro do Carnaval carregando um caixão, simbolicamente representando “os restos mortais” do Entrudo.

Com o percurso Ribeira Bote, Fonte Inês, Cruz João Évora, Fonte Meio, Madeiralzinho, Chã de Alecrim e Avenida Marginal, por cada bairro e esquina por onde passou este último desfile do Carnaval multiplicava-se o número de seguidores.

Uma verdadeira festa que contou também com um trio eléctrico e uma banda musical ao vivo, que interpretaram as músicas dos desfiles oficias deste ano, bem como os temas clássicos do Carnaval de São Vicente.

A “cerimonia fúnebre” só terminou quando o cortejo chegou ao seu destino final, o Cais de Alfândega, na Avenida Marginal, onde o caixão com os “restos mortais” do Carnaval foi lançado ao mar.

Uma cerimónia simbólica, ao estilo Vikings, antigo povo da Escandinávia, que entregava os mortos ao mar na esperança de renasceram na próxima vida com maior prosperidade.

Com esta particularidade terminam, assim, as actividades do Carnaval em São Vicente, tido como um dos melhores de sempre pela população, mas já se fala em “missa do sétimo dia”, no próximo fim-de-semana, na Ribeira Bote, o zona-baluarte dos mandingas de São Vicente.

A manifestação mandinga no Carnaval do Mindelo, apontam fontes consultadas pela Inforpress, terá surgido no contexto histórico dos anos 40, marcados pela fome, emigração forçada e pelas revoluções contra o regime colonial português.

O seu fundador, de acordo com alguns estudiosos, é um estivador “muito activo” do Porto Grande do Mindelo, conhecido por Capote, uma figura popular que frequentava o Cais da Alfândega, Praia de Bote, Bar Boca de Tubarão e a Ribeira Bote.

Capote foi um entusiasta de todas as festas populares e destacou-se no Carnaval pela sua criatividade na criação da personagem Rei de Mandinga de São Vicente.

AA/CP

Inforpress/Fim