Inicio Sociedade São Vicente: Intercâmbio entre Aldeias SOS de São Vicente e Santiago classificado...

São Vicente: Intercâmbio entre Aldeias SOS de São Vicente e Santiago classificado de “altamente positivo”  (c/áudio)

*** Por Américo Antunes, da Agência Inforpress ***

Mindelo, 06 Set (Inforpress) – O líder dos jovens das Aldeias SOS, Marco Paulo Monteiro, classificou hoje, no Mindelo, de “altamente positivo” um intercâmbio de três semanas entre crianças e jovens das Aldeias SOS de São Vicente e de Santiago.

Em declarações à Inforpress, no Mindelo, o responsável, que coordenou a actividade,  explicou que o intercâmbio, que juntou 40 jovens, meninas e rapazes a partir dos 15 anos das Aldeias SOS de Santiago (Santa Catarina e São Domingos), aos 26 do Centro Social de São Vicente, foi um momento de “boa influenciação”, pelo que, sustentou, dentro de “algum tempo” os resultados surgirão.

“O objectivo é que nenhum deles veja a rua como alternativa, mas sim esses centros como alternativa à rua”, pontificou Marco Paulo Monteiro, até porque, precisou, a iniciativa surgiu da ideia de tornar o Centro Social SOS “mais atractivo”  aos meninos de rua em São Vicente.

O intercâmbio, cujo encerramento deve ocorrer na tarde de hoje, foi, com efeito, a terceira fase da intervenção das Aldeias SOS programada para este Verão.

Na primeira, o centro de São Vicente acolheu apenas os meninos que estão em situação de rua para convívio com as crianças e adolescentes da comunidade, com actividades lúdicas e pedagógicas.

A segunda fase englobou uma deslocação à ilha de Santo Antão, ao mesmo tempo que eram acolhidos no centro famílias biológicas dessas crianças para formação.

Ao longo das três semanas do intercâmbio, a terceira fase, foram organizadas cinco oficinas, de artes e ofícios, empreendedorismo e inovação, dança, valores, e agricultura e educação ambiental.

Os jovens foram distribuídos em grupos, “para aprender e produzir”, ao mesmo que no decorrer das oficinas se discutiam questões sobre valores, no sentido de “tentar incutir” essa reflexão sobre “os valores para a vida”, sobretudo o valor do trabalho.

“Ou seja, para perceberem que para conseguir dinheiro dignamente é preciso trabalhar”, concretizou Marco Paulo Monteiro, que destacou ainda que a vinda dos jovens de Santiago objectivou uma “influenciação positiva e partilha de experiências” com os miúdos de São Vicente.

Outro “aspecto importante” que marcou o intercâmbio, segundo a mesma fonte, foi uma discussão à volta de projectos de vida, em sessões de grupo, mas também em encontros individuais, sobretudo com os miúdos do Mindelo, para reflectirem sobre a forma como projectam a sua vida daqui a dois ou cinco anos.

Marco Paulo Monteiro deu ainda conta de um trabalho de encaminhamento desses 26 jovens de São Vicente, já a partir da próxima semana.

“Alguns vão ficar no centro a aguardar encaminhamentos para alguma empresa para aprendizagem profissional e vamos acolher três dessas crianças nas Aldeias SOS de Santiago”, enumerou o líder dos jovens das Aldeias SOS.

Os que tiverem que regressar para o seio familiar vão fazê-lo, ajuntou, desde que a família não constitua um risco para eles, mas os que tiverem que ficar no centro em regime de internamento para aconselhamento vão aqui permanecer.

“Mas o objectivo, conforme decisão saída da jornada de reflexão do Mindelo, é, a partir do dia 17, dia em que arranca o novo ano lectivo, nenhuma criança esteja em situação de rua”, concluiu Marco Paulo Monteiro.

No dia 23 de Agosto, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, visitou o Centro Social das Aldeias SOS, no Mindelo, com o intercâmbio já a decorrer, e aproveitou a ocasião para aconselhar as crianças e adolescentes a aproveitarem “todas as oportunidades”, pois “não estão condenadas” a uma vida de dificuldades.

“Aproveitem e acreditem porque vocês têm toda a possibilidade de amanhã ser primeiro-ministro, empresário ou médico, o que quiserem, porque parte da vida nós é que a construímos”, reforçou, depois de elogiar o “grande trabalho, um trabalho social relevante e importante” das Aldeias SOS com crianças, adolescentes e jovens.

AA/ZS

Inforpress/Fim