São Vicente: Estudo recomenda valorização económica e gastronómica de novas espécies marinhas

Mindelo, 28 Mar (Inforpress) – O Instituto Nacional do Desenvolvimento das Pescas (INDP) vai apostar em novas prospecções das espécies menos consumidas em Cabo Verde, valorizá-las economicamente e na gastronomia, para descongestionar os bancos de pesca tradicionais do arquipélago.

A recomendação emana de um estudo de dois projectos de desenvolvimento de condições técnico-científicas, formação, transferência de tecnologia e conhecimento, visando fomentar a exploração e comercialização sustentável de mariscos na Macaronésia, no âmbito da cooperação territorial com os países da Macaronésia no horizonte 2014-2020.

Segundo o coordenador do estudo para a parte cabo-verdiana, Albertino Martins, a ideia é diversificar as espécies em Cabo Verde e ter novas proposta de gestão para uma pesca responsável.

A mesma fonte referia-se a espécies de meia-água (150 a 200 metros) como charroco, fanhama e o fambil, que aparecem nas pescarias como espécies acessórias, e que não têm valor comercial, mas normalmente consumidas quando as espécies tradicionais escasseiam no mercado.

“A ideia é valorizá-las e demonstrar que têm as mesmas ou mais valor comercial do que as espécies tradicionais e levá-las também aos pratos das famílias”, concretizou Albertino Martins, que se referiu ainda à lagosta costeira, alvo de uma pescaria proibida, o mergulho, prometendo prospecções utilizando artes de pesca selectivas como covos.

Albertino Martins explicou ainda o caso do camarão-soldado, um “caso inédito no mundo”, pois em relação a este recurso foi feita em primeiro lugar a prospecção, avaliação e a sua valorização gastro-económica para depois se recomendar a pesca, com um potencial de 200 toneladas/ano no arquipélago.

“Estamos à espera de um privado que queira enveredar pela pescaria do camarão-soldado”, lançou o responsável, que, no entanto, diz entender a “resistência” do investidor privado por se tratar de uma pescaria que envolve “algum investimento inicial” e que poderá ser afectado pelo próprio canal de comercialização desta espécie.

É que, concluiu, o camarão soldado “potencialmente deve ser destinado à exportação”, o que exige o conhecimento dos canais de escoamento/comercialização lá fora, “daí alguma resistência” dos privados.

Os dois projectos, designados MACAROFOOD e MARISCOMAC, enquandram-se no Programa de Cooperação Territorial MAC 2014-2020 da UE, com o alto patrocínio do Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas, a Universidade de Cabo Verde, a Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde e a Agência para o Desenvolvimento Empresarial e Inovação.

O estudo será apresentado quinta-feira, 29, na Cidade da Praia.

AA/ZS

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