São Vicente: Direcção do “Estrelas o Mar” apela ao bom senso da Ligoc para admitir grupo no Carnaval 2019

Mindelo, 14 Nov (Inforpress) – A direcção do Grupo Carnavalesco Estrelas do Mar apelou hoje ao bom senso da Liga dos Grupos Oficiais do Carnaval de São Vicente (Ligoc) para admitir o grupo no desfile oficial do Carnaval de 2019.

Em conferência de imprensa, no Mindelo, o vice-presidente do grupo, Hipólito Tavares, conhecido também por Papi, deu a “boa nova” aos apoiantes do Estrelas do Mar de que o grupo “já se encontra legalizado no Cartório Notarial”, faltando apenas a publicação no Boletim Oficial, pelo que “vai ainda a tempo” de participar no desfile principal de 05 de Março de 2019.

“Somos um grupo de São Vicente, que o povo quer ver nas ruas do Mindelo, as nossas sondagens indicam isso mesmo, com foliões na diáspora prontos para vir desfilar e um projecto completo”, justificou a mesma fonte.

O responsável sublinhou, no entanto, que apesar de o grupo não ser contra a existência da liga, de que “quer fazer parte” para “trabalhar e colaborar rumo a um melhor Carnaval, existe a “percepção” de que há um “esforço grande” por parte da Ligoc para excluir o grupo do próximo Carnaval.

Papi Tavares recorreu-se às dificuldades, como referiu, que tem encontrado para contactar e reunir-se com os membros da Ligoc – os emails e os telefonemas não têm resposta” – mas que, verbalmente, através de emissário, a Ligoc propôs ao grupo que desfilasse como grupo de acesso na segunda-feira de Carnaval, ao lado da Escola de Samba Tropical.

“Claro que não aceitamos, pois os regulamentos, por mais bons que sejam, têm que ser flexíveis e adaptados à nossa realidade”, lançou a mesma fonte.

Aliás, segundo Papi Tavares, o Grupo Carnavalesco Estrelas do Mar está disposto a desfilar como quinto grupo em 2019 e se ficar no último lugar vai descer para a liga de acesso “sem qualquer problema”.

“Mas queremos esta oportunidade de competição no Carnaval 2019 para mostrar se somos ou não um grupo de qualidade”, concretizou a mesma fonte.

O vice-presidente disse ainda não aceitar que apaguem a história do grupo, ou seja, assinalou, querem reintroduzir o Estrelas do Mar no Carnaval como “um grupo novo, que não é”.

“Por isso mesmo estamos a lutar porque o bom senso vai ter que prevalecer e juntamente com o Ligoc vamos fazer um plano para integrar o ‘Estrelas do Mar’ como grupo competitivo do Carnaval de 2019”, concluiu.

Por seu lado, o advogado Osvaldo Lopes, que presta assessoria jurídica ao grupo, sustentou que o “Estrelas o Mar” é um “grupo histórico” e que está disposto a lutar para participar no Carnaval 2019 “legitimamente”, pelo que irá tomar todas as medidas legais e necessárias para exercer esse seu direito histórico e exigir o seu regresso tal qual sucedeu em outras épocas com grupos como Monte Sossego e Vindos do Oriente.

Ademais, ajuntou, o grupo “nunca foi confrontado” com um organograma que regulamente formalmente a participação dos grupos no Carnaval, ou sejam “quem é quem no desfile”.

“A própria legalização da Ligoc é outro problema, pois não temos ainda a publicação no BO do regulamento que institui a própria Liga”, sustentou, pois quando se fala da delegação na Ligoc da organização do Carnaval por parte da câmara é preciso conhecer em que termos e quais os critérios desta transição, “desse poder da câmara para a Ligoc, o que não sucede”.

“O ano zero da Ligoc é este e o problema é que a liga não quer que o ‘Estrelas do Mar’ participe neste ano zero”, considerou, ao mesmo tempo que diz aceitar que se tenha outras ideias na organização do Carnaval, “mais próximas do modelo brasileiro”, mas que a questão da 1ª e 2ª divisão (acesso) deve ser definido “de forma clara e não a toque de caixa”.

O Grupo Estrelas do Mar foi fundado em 1973 e sagrou-se vencedor do Carnaval do Mindelo por quatro vezes, tendo arrebatado ainda vários segundos lugares e a melhor rainha do Carnaval por vários anos consecutivos.

Desfilou pela última vez em 2012, quando foi homenageada a então presidente Dulce Lima.

AA/CP

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