Bispo do Mindelo teme que ausência de concorrência faça aumentar preços dos transportes aéreos

 

Mindelo, 30 Mai (Inforpress) – O bispo do Mindelo, Dom Ildo Fortes, admitiu hoje que teme que, havendo uma só companhia aérea a operar inter-ilhas, os preços dos transportes aéreos possam outra vez disparar.

“É pena se este voltar atrás significar de novo o aumento dos preços dos transportes aéreos”, reforçou o prelado à Rádio de Cabo Verde (RCV), ao comentar a situação actual por que passa a companhia de aviação TACV, que a partir de 01 de Agosto deixa de operar nas rotas inter-ilhas.

Aliás, Dom Ildo lembrou que a actual modalidade de haver duas companhias aéreas a operar inter-ilhas, TACV e Binter CV, trouxe uma “concorrência muito saudável”, até porque os preços “baixaram significativamente”.

“O nosso povo precisa muito de viajar por várias razões, o que torna a vida mais complicada e é pena se este voltar atrás significar de novo o aumento dos preços dos transportes aéreos”, reforçou a mesma fonte.

Reconhecendo, embora, desconhecer os meandros e as razões que levaram as autoridades a anunciar a saída da TACV do mercado interno a partir de 01 de Agosto, Dom Ildo Fortes referiu que não lhe compete ajuizar, embora, como cabo-verdiano, referiu, que viaja há dezenas de anos na TACV, diz ter o “sentimento de pena” pelo facto de a companhia deixar de ligar as ilhas.

“Se pudesse haver uma outra saída acho que seria mais louvável, mais agradável para nós cabo-verdianos”, acrescentou o bispo do Mindelo, para quem a preocupação que pode haver é a necessidade de “socializar as decisões, haver um tempo para amadurecer, para discutir, para ouvir as pessoas”.

Isto é, pontificou, para depois de, tomada a decisão, as pessoas não tivessem as opiniões “tão díspares e admiração tão grande”, nestas e outras áreas.

“Evidentemente que compreendo que aqueles que estão à frente dos destinos do país estão a pensar fazer o melhor para nós. A TACV, todos sabemos, é um caso difícil, mas, tanto quanto possível, auscultar uns e outros antes de se tomar grandes medidas não seria má”, concluiu Dom Ildo Fortes.

Conforme avançado pelo Governo, a partir de 1 de Agosto, a TACV deixará de operar inter-ilhas, passando esses voos a serem realizados pela Binter Cabo Verde, medida que gerou “alguma desconfiança” no seio da sociedade cabo-verdiana, sobretudo, pela entrega do “monopólio” a uma companhia de capital maioritariamente estrangeiro.

As operações da companhia Binter CV iniciaram-se a 12 de Novembro passado, na rota triangular Santiago, Sal e São Vicente, depois de a companhia ter obtido o certificado de operador em Cabo Verde, tendo começado a operar com um avião.

Actualmente, já opera com dois ATR, estando a aguardar o terceiro, sendo que em Junho vai alargar a sua rota com o início de voos para as ilhas do Maio e São Nicolau, a 16 e 17, respectivamente.

Estas duas rotas juntam-se assim a da Boa Vista, que se iniciou a 4 de Março e à do Fogo, que acontece desde o passado dia 15 de Abril, além de Sal, São Vicente e Praia.

Com estas duas novas rotas, a companhia passa a operar para todas as ilhas do país que têm aeroporto, completando sete rotas internas, passando então, a 01 de Agosto, a ser a única companhia a assegurar os voos inter-ilhas no arquipélago.

AA/JMV

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