São Filipe: Projecto de extensão de água a noroeste parado e a população não acredita na sua conclusão este ano

São Filipe, 28 Mar (Inforpress) – O projecto de extensão da rede de abastecimento de água a noroeste de São Filipe, cobrindo povoados situados entre Inhuco e Campanas de Cima, está parado há vários meses e a população não acredita na sua retoma e conclusão no decurso deste ano.

O projecto foi iniciado em finais de Abril do ano passado e deveria ser executado por lotes (04), sendo que a previsão inicial era disponibilizar água a uma parte da população, em meados de Setembro de 2016, mas o programa está parado há sensivelmente oito meses , devido a divida da edilidade para com Águabrava, empresa encarregada de executar as obras.

As obras referentes aos dois primeiros lotes, cobrindo as localidades desde São Pedro até Lomba, Mira-Mira e Ponta Verde Alta, assim como os povoados de Inhuco Baixo e Alto, Curral Grande, Italiano, Zambujeiro e Aleixo Gomes, estão praticamente concluídas, faltando apenas a instalação de electrobombas e pequenos trabalhos na rede para disponibilizar água à população destas localidades, que representa cerca de metade da população beneficiária do projecto.

Várias famílias das localidades beneficiadas pelo projecto contactadas telefonicamente pela Inforpress mostram-se preocupadas com a situação e pelo facto da promessa se arrastar por vários anos, não acreditando que o projecto seja concretizado a curto prazo.

Apesar dos trabalhos já realizados na abertura de valas, construção de reservatórios e de estações de bombagem, as pessoas continuam a não acreditar no projecto e na satisfação desta que é mais antiga reivindicação da população de noroeste de São Filipe.

O projecto beneficia uma média de cinco mil habitantes das localidades situadas a noroeste da ilha, e a uma quota inferior a 1.200 metros de altitude, e a empresa Águabrava, segundo o administrador/delegado, está em condições de, num prazo muito curto, concluir os trabalhos e disponibilizar a água aos povoados que já beneficiam da rede, e dar continuidade a extensão da mesma, assim que a edilidade liquidar a divida pendente.

No ano passado, a divida da edilidade de São Filipe para com a empresa Águabrava, incluindo a parte relativa à execução do projecto, rondava os 30 mil contos, valor que conheceu um decréscimo significativo devido a não transferência do valor mensal da taxa de saneamento que a empresa cobra, fazendo assim jogos de contas.

No início deste ano, o edil de São Filipe tinha prometido retomar o projecto, sem contudo avançar com uma data, por se tratar de um programa de extrema importância para aquelas localidades do município que ainda não dispõem de rede pública de abastecimento de água.

Na altura, o autarca indicou que foram inscritas verbas no orçamento de 2017 para este fim e que a edilidade estava a negociar com o Governo para encontrar a melhor solução.

Algumas tentativas para contactar o edil de São Filipe sobre uma data provável para reinício do projecto não tiveram sucessos.

O projecto foi co-financiado pelo Ministério do Ambiente, Habitação e Ordenamento do Território (MAHOT), Águabrava, Câmara Municipal, Comissão Regional de Parceiros e está orçado em cerca de 150 mil contos (147 mil contos), dos quais 90 mil (61 por cento (%) do valor global) foi disponibilizado pelo ex-ministério do Ambiente, Habitação e Ordenamento do Território (MAHOT).

JR/JMV

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