São Filipe: ASDE aguarda há oito meses resposta sobre proposta para gestão de água para agricultura – Padre Octávio Fassano

São Filipe, 06 Abr (Inforpress) – A Associação de Solidariedade e Desenvolvimento Económico (ASDE) apresentou , em Agosto de 2016 , ao Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) uma proposta “moderníssima” para gestão da água para agricultura, mas até ainda não obteve qualquer “feedback” do Ministério.

Esta informação foi avançada pelo Padre Octávio Fassano, ao ser abordado da possibilidade de despedimento colectivo de 15 trabalhadores da vinha Maria Chaves, adiantando que aguarda, há oito meses, por uma resposta.

Este responsável afirma que existem muitos técnicos internacionais que colaboram com o projecto e que pretende ajudar a resolver o problema de água e de energia, adiantando que o Governo deve assumir uma “responsabilidade séria e continuada nesta matéria”.

A proposta apresentada ao titular da pasta da Agricultura, segundo explica, é “moderníssima” e com a possibilidade de gerir os quatro furos de prospecção de água subterrânea para agricultura de maneira controlada e automática, através de recursos a meios como telefone e internet, permitindo conhecer a situação dos furos e evitar o fornecimento de água salgada como costuma acontecer,

A proposta pela qual ainda aguarda a resposta prevê um sistema de controlo, observando que os técnicos que colaboram com a ASDE já têm tudo preparado para resolver o problema, mas parece “que ninguém está interessado na resolução do problema”.

Segundo Octávio Fassano, através do sistema que se pretende instalar, pode-se fazer o controlo e quando chega ao nível de água salgada, as bombas param automaticamente a bombagem, e quando a reserva da água doce voltar ao nível normal ,volta a fazer a bombagem, tudo isso através de um quadro electrónico que será instalado.

Para Fassano a água é, nos tempos actuais, um direito fundamental da vida de uma sociedade e quem tem a responsabilidade deve assumir, sublinhando que a nível da ilha, as Câmaras Municipais, enquanto donas da empresa intermunicipal de águas, Águabrava, devem assumir a responsabilidade de disponibilizar água não só para o consumo humano como para agricultura, deixando no ar de que existe projecto, que não sabe de quem, que não quer desenvolver a agricultura na ilha.

No início do projecto, quando a ASDE celebrou o contrato de comodato com o Governo para efectuar a exploração do terreno de Maria Chaves por um período de 50 anos, a então ministra da Agricultura assinou um documento para disponibilizar ao projecto 200 metros cúbicos de água dia.

“A água nunca chegou em quantidade estipulada e nem pretendemos tudo isso, mas o necessário porque temos o sistema de gota a gota”, disse Octávio Fassano, para a quantidade suficiente, dependendo do período do ano, oscila entre os 70 metros cúbico/dia e durante quatro a cinco meses por ano, o que representa 35 por cento (%) da quantidade inicial, não obstante a Vinha Maria Chaves sempre pagou a água a 165 escudos metros cúbicos sem beneficiar de redução como os horticultores da ilha.

Para Octávio Fassano, o problema pode ter uma solução, observando que se a Águabrava tem contrato , segundo o qual não pode fornecer água para agricultura e que o Governo e as autoridades podem intervir para eliminar este contrato.

Segundo o mesmo, antes havia uma rede única da Águabrava, para o serviço civil (consumo humano) e para agricultura, mas a partir criação da rede de distribuição de água para agricultura, que passou a ser gerida pela associação dos agricultores, a situação complicou-se, observando que a gestão da água é técnica e não política.

Questionado se a problemática do fornecimento de água à Vinha e o despedimento colectivo d 15 trabalhadores não constituem um sinal para acabar com o projecto, Padre Octávio foi peremptório, “nunca e é estúpido quem pensou esta coisa”.

Este avançar que não vai deixar este projecto, porque sempre sonhou e pensou que daqui a 30 anos todas as encostas terão parcelas de vinha e mostra-se convencido que isso vai acontecer, para o desenvolvimento da ilha e do país.

Decorria o ano de 2004, quando o Padre Octávio Fassano, mentor do projecto, lançara as bases para o desenvolvimento da Vinha de Maria Chaves, que considera que a sua implementação constituía a primeira pedra para o desenvolvimento deste sector vinícola na ilha do Fogo e em Cabo Verde.

No mesmo ano, fez-se o diagnóstico do local, por uma equipa técnica do Departamento de Silvicultura e Cultura Arbórea da Universidade de Turim (Itália) e da Associação de Solidariedade para Desenvolvimento Económico da Ilha do Fogo (ASDE) e em 2005, os Capuchinhos solicitaram, com sucesso, ao Governo cabo-verdiano a concessão, a título gratuito e por um período de 50 anos, dos cerca de 25 hectares de terreno de Maria Chaves, pertença do Ministério do Ambiente, para implementação do projecto.

Logo após a confirmação da concessão do terreno, em 2006, uma delegação da região de Pie Monte, norte de Itália, visitava o local para prospecção no terreno, levantamento e preparação do terreno para o cultivo da videira.

Os equipamentos necessários à preparação do campo de cultivo vieram da Itália e, no final de Novembro de 2008, chegavam à Ilha do Fogo dois contentores frigoríficos, contendo mais de uma centena de milhares de plantas de videiras, provenientes de Itália.

Em meados de Junho/Julho de 2009, começaram a fixação das plantas, após a resolução do problema de abastecimento de água, tendo o projecto Vinha Maria Chaves sido inaugurado a 07 de Fevereiro de 2010.

JR/JMV

Inforpress/Fim