Santo Antão: Voluntários do Porto Novo alertam para ” esquecimento e abandono” de Canjana

 

Porto Novo, 23 Nov (Inforpress) – O grupo dos voluntários do Porto Novo, Santo Antão, alertou, hoje, para o “esquecimento e abandono” da localidade Canjana, arredores da Praia Formosa, interior deste município santantonense, local de encalhe, em 1947, do navio norte-americano John Schmeltzer.

Odair Almeida, líder do grupo dos voluntários do Porto Novo, considerou que a zona de Canjana, que, a seu ver, “faz parte da história de Santo Antão e de Cabo Verde”, constitui “um património histórico-cultural abandonado e esquecido, ao longos dos tempos, pelas autoridades”.

John Schmeltzer, navio da marinha mercante dos Estados Unidos da América (EUA), que vinha da Argentina e a caminho da Suécia, carregado de milho, encalhou nas proximidades de Canjana, a cinco milhas náuticas de Ponta de Peça, acabando por salvar “parte significativa” da população de Santo Antão de morrer à míngua, na sequência da fome que assolou Cabo Verde, entre 1940 e 1950.

O encalhe de John S. Schmeltzer, que tinha partido do Porto de Rosário, na Argentina, com destino a Gotemburgo (Suécia), com um carregamento de milho, aconteceu na madrugada de 25 de Novembro de 1947, às 05:49, mais exactamente, quando o navio estava a cruzar as águas do norte do arquipélago de Cabo Verde.

O grupo dos voluntários do Porto Novo, que se diz “preocupado” com o esquecimento dessa localidade, promoveu, recentemente, um excursão à Canjana, com o fito de, segundo Odair Almeida, “chamar a atenção das autoridades para o abandono e o esquecimento” dessa zona.

“Canjana faz parte da história de Santo Antão e de Cabo Verde, no geral”, avançou.

O alerta deste grupo acontece a dois dias do septuagésimo aniversário do naufrágio e nas vésperas de um encontro de sinalização e reflexão sobre a importância histórica do encalhe do navio norte-americano em Canjana, a 25 de Novembro de 1947.

Além do encontro desta sexta-feira, prevê-se ainda, para sábado, dia do aniversário do encalhe, uma excursão à Canjana, ambas actividades promovidas pela edilidade porto-novense.

Para o grupo dos voluntários do Porto Novo, a localidade de Canjana pode transformar-se num “importante ponto de atracão turística” na ilha de Santo Antão.

No quadro ainda das comemorações dos 70 anos do naufrágio de “John S. Schmeltzer”, o grupo de teatro Juventude em Marcha pretende, ainda este ano, rodar a peça Canjana, uma criação desta companhia teatral santantonense, que aborda, precisamente, esse “famoso” encalhe e retrata a fome de 1947, em Santo Antão.

JM/JMV

Inforpress/JMV