Santo Antão: Utentes “expectantes” quanto à eventual redução das tarifas de água no Porto Novo ainda em 2018

Porto Novo, 30 Ago (Inforpress) – A redução das tarifas de água dessalinizada no Porto Novo, Santo Antão, consideradas “as mais elevadas” praticadas no arquipélago, continua a preocupar os consumidores, que dizem-se “expectantes” quanto à concretização, ainda neste ano, dessa medida, há muito anunciada.

Alguns utentes dizem continuar à espera que a promessa de redução das tarifas de água dessalinizada no Porto Novo, que consideram “elevadas”, seja cumprida.

“Há muito tempo que se tem falado em baixar o preço de água no Porto Novo, mas continuamos sem saber se vão ou não cumprir essa promessa”, diz o utente João Andrade, opinião partilhada por outros consumidores, abordados pela Inforpress.

A entidade reguladora admite que, efectivamente, as tarifas de água praticadas no Porto Novo são “elevadas” e, nos princípios deste ano, prometera “avaliar a situação” com vista a baixar o preço praticado desde 2015, que a própria edilidade, que tem estado a registar um défice tarifário de mais de dois mil contos/mês, considera alto.

A Câmara Municipal do Porto Novo diz entender que existem condições para a revisão das tarifas de água neste município, medida “muito aguardada” pelos portonovenses, lembrando que tinha estado sensibilizar a antiga Agência de Regulação Económica (ARE) nesse sentido.

Além do encontro de contas, alcançado em Janeiro, entre a autarquia, Governo e Águas do Porto Novo (APN), empresa produtora, que permitiu reduzir, substancialmente, as dividas do município com o abastecimento de água, interligou-se ainda a unidade dessalinizadora à rede pública de electricidade, reduzindo assim os custos de produção.

Trata-se de medidas que, no entender das autoridades municipais, permitem reduzir as tarifas de água no Porto Novo, onde os consumidores pagam, por cada metro cúbico de água, cerca 280 escudos.

O encontro de contas entre o Governo, APN e o município do Porto Novo consistiu na alienação ao Estado de Cabo Verde, por parte da autarquia, das redes eléctricas de média e baixa tensão em Chã de Mato/Ponte Sul, São Tomé (Sul) e Tarrafal de Monte Trigo, avaliadas em 52 mil contos.

Este montante recebido pela câmara do Porto Novo, por contra-partida da alienação dessas infra-estruturas eléctricas, permitiu a redução das dívidas para com APN, resultantes do fornecimento de água dessalinizada.

Por seu lado, a APN conseguiu reduzir as dívidas desta empresa para com o Governo, na sequência da execução do aval prestado na operação de um crédito junto à instituição bancária espanhola “La Caixa”, que permitiu a montagem, em 2007, da unidade dessalinizadora do Porto Novo, que custou 240 mil contos.

JM/JMV

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