Santo Antão: Projecto Raízes dará contributo grande para visibilidade das potencialidades turísticas da ilha – responsável

Porto Novo, 02 Jun (Inforpress) – Santo Antão tem condições para “dar cartas” a nível do turismo sustentável e o projecto Raízes (Redes locais para o turismo sustentável e inclusivo), lançado, quinta-feira, vai dar “um contributo muito grande para a visibilidade das potencialidades”, nesse domínio.

Quem o diz é Jorge Revez, presidente da Associação para a Defesa do Património de Mértola (Portugal), organização que coopera com Porto Novo há quase duas décadas e que liderou a candidatura do projecto Raízes à União Europeia, que já disponibilizou cerca de 500 mil euros (55 mil contos) para o seu co-financiamento.

A assinatura do convénio de financiamento para este projecto, orçado, na globalidade em mais de 600 mil euros, aconteceu, esta quinta-feira, no Porto Novo, num acto que contou com a presença do embaixador da União Europeia em Cabo Verde, José Manuel Pinto Teixeira.

Para Jorge Revez, presidente dessa associação, que coopera com Porto Novo há quase duas décadas, o projecto Raízes, que começa a ser executado a partir de Setembro, será, certamente, “um grande contributo” para que Santo Antão possa avançar em termos do turismo de natureza, onde dispõe de grandes potencialidades.

O projecto, que visa diversificar a oferta turística na ilha, tem duração de três anos, e conta ainda como parceiros as câmaras municipais de Santo Antão, o Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) e associações de desenvolvimento locais.

Para o presidente da Associação para a Defesa do Património de Mértola, esse projecto pode, também, contribuir para a criação de riqueza e ajudar a reter as populações na própria ilha, que, nos anos, tem perdido parte importante da sua população.

O embaixador da União Europeia Cabo Verde partilha da opinião de que o projecto Raízes pode ajudar a reter os santantonenses na sua própria ilha, já que vai permitir que o turismo de desenvolva ainda mais, nesta região.

“Santo Antão, com a sua beleza, hospitalidade, cultura, gastronomia e com o seu grogue, tem muito a oferecer aos turista e o projecto Raízes vai, justamente, mobilizar e capacitar os empresários, as associações de sociedade civil e as autoridades locais, para contribuírem para que a ilha se torne ainda mais atractiva”, notou José Manuel Pinto Teixeira.

Santo Antão perdeu em dez anos (entre 2000 e 2010) cerca de quatro mil pessoas, correspondentes a sete por cento (%) da sua população, as quais saíram à procura de melhores condições de vida nas outras ilhas ou no estrangeiro.

A manter-se essa tendência, a ilha pode, até 2030, perder um terço (1/3) da sua população, facto que tem estado a preocupar as autoridades locais, que defendem politicas adequadas para inverter esse estado de coisas.

Para o embaixador da União Europeia em Cabo Verde, este projecto insere-se, precisamente, nessa estratégia de criar oportunidades em Santo Antão, para que os santantonenses possam viver na sua própria ilha.

Raízes, que aposta sobretudo na qualificação dos recursos humanos, tem como grupos alvo, os empresários, artesoes, dirigentes comunitários e municipais.

No âmbito do projecto, está a ser montado o curso de doutoramento, o primeiro a ser criado em Cabo Verde, a ser ministrado, a partir de Setembro, pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais (ISCEE), no Mindelo, e pela Faculdade da Economia da Universidade do Algarve, Portugal.

JM/JMV

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