Santo Antão: Produtos agrícolas com potencial para grandes mercados mas embargo é constrangimento – MAA

Porto Novo, 01 Set (Inforpress) – Os produtos agrícolas de Santo Antão são de “grande qualidade”, com potencial para atingir grandes mercados, mas há ainda constrangimentos, sobretudo, derivados do embargo imposto, há 34 anos, aos excedentes desta ilha, devido a praga dos mil-pés.

As declarações são do delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) no Porto Novo, Joel Barros, que falava esta sexta-feira no lançamento de mais um projecto, o segundo, sobre agricultura periurbana neste concelho, num investimento a rondar em 12 mil contos.

“Os produtos agrícolas de Santo Antão são de grande qualidade e, uma vez, reforçada essa qualidade é possível atingir grandes mercados”, notou Joel Barros, que confirmou, porém, a existência de “um compromisso já assumido” pelo MAA para se trabalhar esta questão do embargo, com vista a “reverter a situação, discriminando, pela positiva”, as localidades ainda sem os mil-pés.

Este responsável explicou que no concelho do Porto Novo há ainda alguns vales ainda sem essa praga, cujos produtos podiam ser exportados para outros mercados, pelo que voltou a exortar o Governo para a necessidade de levantar, parcialmente, este embargo, também muito contestado pelos produtos.

É o caso do Tarrafal de Monte Trigo, um grande produtor do inhame, onde um quilograma desse produto custa no mercado local entre 100 e 150 escudos, mas que em Santiago atingiria entre 800 a 900 escudos, segundo o delegado do MAA.

Por causa da medida de quarenta decretada, em 1984, aos produtos agrícolas de Santo Antão, o inhame, mas também a batata comum produzida em Martiene ou em Chã de Branquinho e Chã de Norte não podem chegar  ilha como Santiago e Fogo.

Saliente-se que os produtos agrícolas de Santo Antão, além de São Vicente, só podem ser exportados para as ilhas turísticas do Sal e Boa Vista, depois de serem tratados no centro de expurgo do Porto Novo, mas o problema de transportes marítimas inter-lhas tem consignado o escoamento, sobretudo para a “ilha das dunas”.

O projecto sobre a agricultura periurbana, que fica em Lajedinho, arredores da cidade do Novo, tem o financiamento do Governo, através dos programas de promoção das actividades socioeconómicas rurais (Poser) e de mitigação da seca, incidindo na recuperação e equipamento de um furo, despedrega de terrenos, instalação de rega gota a gota e construção de um reservatório.

O acto de lançamento do projecto foi presidido pelo vice-primeiro-ministro, Olavo Correia, que realçou a importância desta iniciativa na melhoria das condições de vida das 20 famílias contempladas.

A edilidade portonovense, parceira do projecto, disponibilizou quatro hectares de terrenos para a instalação de parcelas, segundo o edil, Aníbal Fonseca, para quem Porto Novo tem condições para fazer “uma verdadeira revolução” no sector agrícola.

A câmara do Porto Novo decidiu disponibilizar cerca de 30 hectares de terrenos para a dinamização de projectos sobre agricultura urbana e periurbana neste município, sete dos quais foram já foram cedidos a cerca de 40 famílias.

O primeiro projecto, que se situa em Galinheira, também na preferia da cidade do Porto Novo, está numa fase avançada, estando as famílias já a produzirem para consumo e para mercado.

Aníbal Fonseca admitiu a possibilidade de surgir um terceiro projecto sobre agricultura periurbana no Porto Novo, nas imediações de Morro Braz, onde já existe um furo.

JM/AA

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