Santo Antão: Produtores do grogue receiam perda da qualidade do produto por falta de fiscalização

Porto Novo, 25 Fev (Inforpress) – Os produtores do grogue em Santo Antão alertaram hoje para os riscos de haver retrocessos em termos de qualidade do produto, devido à ausência de acções de fiscalização por parte da Inspecção-Geral das Actividades Económicas (IGAE).
Segundo os produtores do grogue, desde que se iniciou a safra, em Janeiro, não se verificou qualquer acção de fiscalização por parte da IGAE, alertando para algum relaxamento a nível de inspecção, situação que pode pôr em causa os ganhos já conseguidos em matéria da qualidade do produto.
A nova lei do grogue, em vigor desde Agosto de 2015, trouxe “melhorias substanciais” em termos de qualidade da aguardente produzida em Santo Antão, mas os produtores dizem “muito preocupados” com abrandamento das acções de fiscalização.
José Pires Ferreira, produtor no Paul, dá conta da inquietação dos operadores em relação à necessidade do reforço da fiscalização, sob pena de se retornar ao passado recente, que foi marcado pela produção de uma aguardente sem qualquer qualidade, a partir do açúcar refinado e de produtos nocivos à saúde das pessoas.
José Manuel Pires Ferreira lembrou que, antes da nova lei, um garrafão de 20 litros de grogue custava apenas 2.500 escudos, valor que aumentou para 8.000 escudos/garrafão e “com toda a produção vendida”.
“É preciso, entretanto, o reforço das acções de fiscalização da produção e uma seguimento e avaliação da legislação para se manter a qualidade, defendeu.
A representação do Ministério da Economia em Santo Antão admitiu a necessidade de se proceder ao reforço da inspecção da produção do grogue e informou que chegará, esta segunda-feira, à esta ilha, uma equipa do IGAE para percorrer todas as unidades.
Fidel Castro, representante deste ministério, informou que, desde Janeiro, altura em se iniciou a safra da cana sacarina e deslacrou os alambiques, não houve qualquer missão do IGAE em Santo Antão, partilhando a inquietação dos produtores sobre a necessidade de uma maior fiscalização desta actividade.
Os próprios deputados da Nação, eleitos pelo círculo de Santo Antão, durante a sessão parlamentar, que decorreu semana passada, interpelaram o ministro da Economia, José Gonçalves, quanto à ausência da fiscalização na produção do grogue, nesta ilha.
José Gonçalves admitiu as limitações da IGAE em cobrir todo o país, devido à falta de recursos humanos, informando que o seu ministério está a envidar esforços para dotar essa instituição de mais inspectores com vista a atender à demanda em termos de fiscalização das actividades económicas em Cabo Verde.
O presidente da Confraria do Grogue de Santo Antão (Congrog), Alberto Lima, partilha, também, da preocupação dos produtores e insiste na necessidade de “uma grande aposta” na fiscalização, condição necessária para se conseguir a tão desejada qualidade do grogue.
Segundo o presidente da Congrog, os produtores querem trabalhar com os municípios e com o Governo para que este produto entre “numa nova era”, marcada pela qualidade.
A nova legislação sobre grogue exige que os alambiques sejam selados entre os meses de Agosto e Dezembro, medida que visa, sobretudo, a preservação da aguardente da cana sacarina.
A produção do grogue em Santo Antão em 2017 deverá rondar os dois milhões de litros, segundo a previsão dos operadores.
JM/CP
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