Santo Antão: Produtores de Boca de Coruja querem mais água para potenciar agricultura

Ribeira Grande, 10 Ago (Inforpress) – Os agricultores de Boca de Coruja, no concelho da Ribeira Grande, querem mais um furo de prospecção de águas subterrâneas naquela localidade como forma de aumentar o caudal necessário para a irrigação das explorações agrícolas locais.

O vice-presidente da Associação para o Desenvolvimento Integrado de Boca de Coruja (ADIBOC), Pedro Manuel Lima, disse à Inforpress que a quantidade de água disponível é insuficiente para as necessidades actuais, sobretudo porque a água que devia ser disponibilizada através da ponte-canal é desviada antes de chegar à localidade.

“Estamos autorizados a extrair apenas 100 metros cúbicos (m3) diários neste furo, 60 por cento (%) dos quais se destinam ao abastecimento público e só cerca de 30/40 % é destinada à agricultura”, disse Pedro Lima acrescentando que seriam necessários cerca de 200 m3 para a satisfação das necessidades.

O furo de Boca de Coruja beneficia 13 agricultores e está equipado com uma mini-central fotovoltaica para a bombagem da água, um projecto financiado pelo POSER em cerca de três mil contos, visando potenciar a actividade agrícola em Boca de Coruja mediante a redução da factura da electricidade convencional.

“Ainda não começamos a sentir a redução do preço da energia eléctrica mas isso acontecerá, certamente, num futuro próximo”, disse Pedro Lima que reitera a necessidade do aumento da quantidade de água disponível, nomeadamente, com a distribuição de água potável à população local e a disponibilização de toda a água do furo para a agricultura.

Manuel da Luz, presidente do Conselho Fiscal da ADIBOC e beneficiário do projecto, retoma esta consideração justificando que “a água deste furo não tem qualidade para consumo humano devido ao excesso de calcário” que, inclusive, entope os tubos de rega gota-a-gota inutilizando esses equipamentos.

Manuel da Luz defende a manutenção do actual preço da água extraída do furo de Boca de Coruja, mesmo com a diminuição da factura da Electra, como forma de amortizar, mais rapidamente, o financiamento disponibilizado pelo POSER, mas outros agricultores não partilham desta posição.

“Acho que já justifica a diminuição do preço da água porque o actual é muito caro e não compensa na produção” disse Teodoro Bentub, um dos beneficiários do projecto que como outros agricultores da localidade apostam, sobretudo, nas culturas mais resistentes à falta de água como a cana sacarina e a bananeira, em vez das hortaliças que precisam de muita água para a sua produção.

Com a manutenção do preço actual (21$00 para rega gota-a-gota e 25$00 para rega por alagamento) até à amortização do investimento ou com a diminuição imediata do preço da água, a opinião dos agricultores contactados pela Inforpress é que o impacto do projecto será positivo a curto prazo, sobretudo se houver mais quantidade de água disponível para a prática da agricultura.

“O Estado tem feito a sua parte mas nós mesmos precisamos ter uma melhor atitude em relação aos materiais que nos são disponibilizados”, disse Teodoro Bentud denunciando casos de vandalismo e de apropriação indevida de tubos e outros materiais que as estruturas governamentais colocam à disposição dos agricultores.

“Os agricultores não têm sabido tirar proveito daquilo que é posto à nossa disposição” disse Bentub concluindo que “é tempo de as autoridades tomarem medidas para pôr cobro à situação”.

HF/FP

Inforpress/FIM