Santo Antão: Produção do inhame chega a 800 toneladas mas produtores dizem desalentados com dificuldades de mercado

Porto Novo, 05 Set (Inforpress) – A produção do inhame no Tarrafal de Monte Trigo, Santo Antão, atingiu, este ano, 800 toneladas, mas o problema de mercado continua a inquietar os produtores que, por razões várias, só conseguem colocar o produto no mercado local.

Por causa do embargo imposto, em 1984, aos produtos agrícolas de Santo Antão, devido a praga dos mil-pés, aliado ao problema de transportes marítimos para os mercados turísticos do Sal e Boa Vista, o inhame produzido no Tarrafal de Monte Trigo é comercializado apenas em Santo Antão.

Os produtores são obrigados a vender o inhame a um preço baixo (entre 100 escudos a 150 escudos/quilo), enquanto que nos mercados turísticos emergentes ou mesmo em Santiago o preço pode chegar a 900 escudos/quilograma.

O facto de outros produtos agrícolas de Santo Antão não poderem ser exportados para as outras ilhas tem estado a preocupar os agricultores e os próprios serviços do ministério da Agricultura e Ambiente nesta ilha.

Segundo o delegado do MAA no Porto Novo, Joel Barros, os produtos agrícolas de Santo Antão têm “potencial para atingir grandes mercados”, mas reconheceu que há constrangimentos, derivados sobretudo do embargo imposto, há 34 anos, aos excedentes desta ilha, devido a praga dos mil-pés.

Este responsável defende, no caso do Porto Novo, concelho onde há ainda alguns vales sem mil-pés, os excedentes produzidos nessas zonas (Tarrafal de Monte Trigo, Chã de Norte, Chã de Branquinho e Martiene) podiam ser exportados para outros mercados, sem quaisquer restrições.

Joel Barros defende, assim, a necessidade de se levantar, parcialmente, este embargo, também muito contestado pelos produtores, discriminando, pela positiva”, essas localidades ainda sem mil-pés.

O Governo admite que Santo Antão não pode continuar a ser prejudicado pelo embargo, pelo que se está à procura de uma solução ao problema, segundo avançou o vice-primeiro-ministro, Olavo Correia, semana passada, durante uma visita a Porto Novo.

“É uma questão que está a ser analisada. Temos que discutir soluções várias, porque a ilha não pode ficar prejudicada. Estamos a trabalhar para que isso aconteça”, avançou o governante.

A cultura do inhame no Tarrafal de Monte Trigo tem vindo, nos últimos anos, a ser impulsionada com vários investimentos que têm permitido alargar a área de cultivo.

Ainda em 2018, o MAA, através do Poser (programa de promoção das actividades socio-económicas rurais), vai desenvolver um novo projecto, estimado em seis mil contos, visando o incremento desta cultura no Tarrafal de Monte Trigo, o maior do inhame em Santo Antão.

Os 130 produtores locais dizem, também, condicionados pelos problemas relacionados com os transportes marítimos inter-ilhas, que dificultam o acesso aos mercados turísticos emergentes.

Apesar do embargo, os produtos agrícolas de Santo Antão têm autorização para ser exportados para os mercados turísticos do Sal e Boa Vista, mas as dificuldades de transportes marítimos têm, também, condicionado o escoamento dos excedentes.

O Governo de Cabo Verde espera, ainda este ano, fechar o processo acerca dos transportes marítimos inter-ilhas, uma garantia deixada, também em Santo Antão, pelo vice-primeiro-ministro, Olavo Correia.

“O concurso está avançar e esperamos que, ainda este ano, tenhamos uma solução para a ligação marítima inter-ilhas”, sublinhou Olavo Correia, para que o Governo tem todo o interesse em concluir esta questão ainda em 2018.

Além do inhame, Tarrafal de Monte Trigo é, também, um excelente produtor da mandioca, mas também do grogue, que começa a ser exportado para França, através da empresa Música e Grogue.

JM/JMV

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