Santo Antão: Mau ano agrícola faz reacender conflito entre agricultores e criadores de gado no Porto Novo

 

Porto Novo, 13 Nov (Inforpress) – O mau ano agrícola que ocorre em todo o arquipélago, está a reacender o conflito entre agricultores e criadores de gado no Porto Novo, Santo Antão, que insistem na necessidade de se delimitar as zonas para pastoreio livre, neste concelho.

Com a falta de pasto, neste ano de seca, os animais têm estado a invadir com maior frequência as zonas agrícolas, para o desespero dos agricultores, que dizem contabilizar, nesta altura, “enormes prejuízos” causados pelas cabras deixadas à solta pelos donos.

Face a esta situação, os agricultores pedem à câmara do Porto Novo e aos serviços locais do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) para resolverem, “de uma ver por todas”, a questão relativa à delimitação dos campos de pastagem, medida que, conforme referem, pode contribuir sobremaneira para resolver este caso.

Para os agricultores, a situação começa a ficar insustentável porque geralmente os criadores não têm capacidade para pagar os prejuízos causados e os animais, muitas vezes, são vendidos pelos serviços municipais em hasta pública.

Em Ribeira dos Bodes, cerca de 20 agricultores na zona de Poio queixam-se de estar a registar “enormes prejuízos” com a frequente invasão de animais às suas parcelas.

Henrique da Luz, porta-voz dos agricultores, considera que se está perante “uma situação difícil” que urge resolver com a delimitação das zonas de pastoreiro livre e reconstrução das “tampas” construídas ainda na era colonial, um pouco por todo o concelho.

Há muitos casos em que os criadores perderam os seus animais porque não conseguiram pagar as coimas pela invasão dos seus animais às zonas agrícolas.

Joaquim Santos, do Planalto Leste, admitiu à Inforpress que já perdeu inúmeras cabeças de gado porque não teve condições de assumir os prejuízos causados a um agricultor, tendo os serviços competentes levado à hasta pública os seus animais que foram “arrematados” para abate.

“Os prejuízos são enormes. As cabras estão a destruir as culturas, sobretudo de feijões, avançou o agricultor Bernardo Morais, informando que, em algumas zonas, alguns lavradores “incapazes” de suster a invasão dos animais, acabaram por abandonar as suas terras.

O conflito, que há anos opõe agricultores e criadores de gado um pouco por todo o concelho do Porto Novo, reacendeu ultimamente com a situação de seca que afecta este concelho e que, segundo os pastores, coloca em risco “milhares” de cabeças de gado.

Para as autoridades locais, a resolução do conflito entre os agricultores e criadores no Porto Novo, passa efectivamente pela demarcação dos sítios para o pastoreio livre.

O edil do Porto Novo, Aníbal Fonseca promete “trabalhar” com o MAA para o efeito, salvaguardando, assim os interesses dos agricultores e dos criadores de gado.

JM/FP

Inforpress/Fim