Santo Antão: IGAE aposta na formação dos produtores para melhorar qualidade do grogue

Porto Novo, 13 Abr (Inforpress) – A Inspecção-Geral das Actividades Económicas (IGAE) tem apostado, nos últimos tempos, na formação dos produtores do grogue em Santo Antão, com vista a melhorar a qualidade da aguardente nesta ilha, com uma produção de dois milhões de litros/ano.

O técnico da IGAE em Santo Antão, Fidel Monteiro, disse à Inforpress que o programa de formação, que incide sobre a vertente produção da aguardente, já abarcou as diferentes localidades, faltando apenas contemplar os do Tarrafal de Monte Trigo, que acontece este sábado.

Segundo este técnico, a acção de formação aos produtores do Tarrafal de Monte Trigo encerra, assim, o programa, com o qual a IGAE espera dotar os produtores de conhecimentos visando uma melhoria da qualidade do grogue, que se produz em Santo Antão.

Depois da alguma melhoria registada em 2015, com a entrada em vigor da nova lei do grogue, a qualidade da aguardente em Santo Antão decaiu em 2016 e 2017, segundo as autoridades na ilha, que se mostram preocupados com impacto que essa situação está a ter a nível da saúde pública.

Alguns produtores têm vindo a denunciar a utilização, por parte de “supostos agricultores”, de produtos nocivos à saúde no fabrico de aguardente em Santo Antão, exigindo, por isso, o reforço da fiscalização.

Com a formação, a IGAE pretende demonstrar aos produtores a necessidade, em prol da saúde dos consumidores, de se preocupar com a qualidade, observando as regras de fabrico, segundo o técnico desta instituição, para quem “o problema está, precisamente, na produção”.

No processo de destilação, há produtores que não têm o cuidado de retirar aquilo que se chama “a cabeça e a cauda”, do produto, as duas fracções que contêm componentes nocivos à saúde, explica a IGAE, que alerta para o facto de 35 por cento (%) das unidades de produção existentes no país não disporem de “mínimas condições” de fabrico.

A produção da aguardente em Cabo Verde, assegurada por 312 unidades, ronda os 10 milhões de litros por ano.

O Governo, que pretende abrir uma delegação da IGAE no Porto Novo, submeterá, em breve, ao Parlamento, a lei sobre o álcool, e prepara já uma outra legislação, desta feita sobre a produção da aguardente, do vinho e de bebidas caseiras em Cabo Verde.

JM/CP

Inforpress/fim