Santo Antão: Governo confirma investimentos de 23 mil contos na barragem de Canto Cagarra

Porto Novo, 27 Mar (Inforpress) – O Governo confirmou, esta segunda-feira, a realização de investimentos na ordem dos 23 mil contos, na barragem de Canto de Cagarra, em Santo Antão, na instalação de sistemas de rega à volta desta infra-estrutura hidráulica.

Segundo o ministro da Agricultura e Ambiente, que falava, segunda-feira, no Parlamento, o Governo vai implementar projectos de aproveitamento hidro-agrícola em todas as barragens em Cabo Verde, incluindo a de Canto de Cagarra, apesar de estar em processo acelerado de assoreamento.

“Canto de Cagarra está em situação que conhecemos, mas vamos investir, também, nessa barragem”, confirmou Gilberto Silva, explicando que o Governo prevê investir em todas as barragens no arquipélago mais de 240 mil contos em projecto de aproveitamento hidro-agrícola, para permitir aos agricultores aproveitarem a água se acumula nessas infra-estruturas.

As obras, já na fase de lançamento de concurso com vista à sua execução, consistem na instalação de sistemas de rega à volta das barragens para possibilitar aos agricultores tirarem melhor proveito da água acumulada nessa infra-estruturas hidráulicas.

Entre 2015 e 2016, a barragem de Canto de Cagarra, construída em 2014, e que custou cerca de 575 mil contos, vem acumulando uma grande quantidade de água que depois é desaproveitada, devido, sobretudo, a problemas na rede de adução, falta de energia eléctrica e à ausência de sistemas de rega.

Na sua recente visita a Santo Antão, em Fevereiro, Gilberto Silva admitiu que a barragem de Canto de Cagarra, que fica no vale da Garça, na Ribeira Grande, constitui um “passivo ambiental”, devido ao assoreamento da albufeira com o material proveniente dos desmontes feitos aquando da construção da estrada Manta Velha/Chã de Igreja.

“A pouca distância entre a base da montanha e a própria barragem não permite a sedimentação do material antes e isso faz com que esse material acabe dentro da albufeira da barragem”, explicou o ministro da Agricultura e Ambiente.

O governante, adiantou, na altura, que o assoreamento é apenas um dos problemas da barragem de Canto de Cagarra.

Além do soterramento de um furo de prospecção de água subterrânea, com capacidade para 150 metros cúbicos (m3) de água diários, que vai ser recuperado, há ainda o problema de permeabilização da albufeira da barragem, disse o ministro, apontando um outro problema que se prende com o facto de o tubo de descarga da barragem estar soterrado.

No quadro do programa de reconstrução de Santo Antão, na sequência das cheias de 2016, a barragem de Canto de Cagarra foi contemplada com obras a nível de reposição da parte de adução e da rampa, estruturas que foram destruídas pela tempestade.

As intervenções incidem, igualmente, na instalação de energia eléctrica nessa barragem.

O Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) prevê que, para travar o “processo acelerado” de assoreamento e de infiltração nessa barragem, seriam necessárias intervenções, a médio e longo prazo, na ordem dos 450 mil contos.
Entretanto, para as autoridades municipais, a barragem é já “uma obra perdida”.

Segundo o edil da Ribeira Grande, Orlando Delgado, “mais de 40 por cento (%) da capacidade de armazenamento da barragem está perdida, devido ao assoreamento”, alertando que “fazer investimentos avultados para a sua recuperação é gastar recursos de todos”.

“A barragem não tem uma gota de água e não se utilizou uma gota da água armazenada, porque o sistema de adução foi destruída e também não se pensou na parte logística, já que não tem energia que permitisse a bombagem para a utilização dessa água, explica o autarca.

JM/JMV

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