Santo Antão/Embargo: A ilha não pode ficar prejudicada – vice-primeiro-ministro

Porto Novo, 02 Set (Infprpress) – O vice-primeiro-ministro, Olavo Correia, admite que Santo Antão não pode continuar a ser prejudicado pelo embargo imposto, há mais de 30 anos, aos produtos agrícolas desta ilha, estando o Governo à procura de “soluções” para reverter a situação.

“É uma questão que está a ser analisada. Temos que discutir soluções várias, porque a ilha não pode ficar prejudicada, mas tempos que repensar o impacto. Estamos a trabalhar para que isso aconteça”, avançou Olavo Correia, que se encontra de visita a Porto Novo, no âmbito das comemorações do dia deste município (02 de Setembro).

Para resolver a questão do embargo, explicou, há que investir na educação, na investigação, mas, sobretudo, na transformação dos produtos agrícolas, ou seja, produzir, transformar na própria ilha e exportar para o mercado nacional e para o mundo inteiro, avançou o governante.

Os produtores agrícolas de Santo Antão, por causa da praga dos mil-pés, que terá chegado à ilha nos anos 70, proveniente da Europa, não conseguem, desde 1984, exportar os seu produtos, enfrentando, assim, constrangimentos a nível do mercado.

Segundo o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) no Porto Novo, Joel Barros, os produtos agrícolas de Santo Antão são de grande qualidade, com potencial para atingir “grandes mercados”, mas há ainda constrangimentos derivados, sobretudo, do embargo.

“Os produtos agrícolas de Santo Antão é de grande qualidade e, uma vez, reforçada essa qualidade é possível atingir grandes mercados”, notou Joel Barros, que disse, porém, existir um compromisso” de trabalhar a questão do embargo, com vista a “reverter a situação, discriminando, pela positiva”, as localidades ainda sem os mil-pés.

Há alguns vales, todos no Porto Novo, ainda sem esta praga, cujos produtos podiam ser exportados para outros mercados, avançou Joel Barros, exortando o Governo para a necessidade de se levantar, parcialmente, essa medida de quarenta, também muito contestada pelos produtos.

Este responsável exemplificou com o caso de Tarrafal de Monte Trigo, o maior produtor do inhame em Cabo Verde, com uma produção a rondar as 800 toneladas/ano, onde um quilograma deste produto custa no mercado local entre 100 e 150 escudos, mas que em Santiago atingiria entre 800 a 900 escudos/quilo.

Além do Tarrafal de Monte Trigo, Martiene, Chã de Branquinho e Chã de Norte são outras localidades do concelho do Porto Novo ainda sem a presença dos mil-pés.

JM/CP

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