Santo Antão: Canjana tem condições para ser património histórico-cultural da ilha – excursionistas

Porto Novo, 27 Ago (Inforpress) – Canjana, no litoral do Porto Novo, local de encalhe, há quase 71 anos, do navio norte-americano John Schmeltzer, reúne as condições para ser reconhecido como património histórico-cultural cultural de Santo Antão, ideia defendida por excursionistas que visitam esse sítio.

Há cerca de um ano, os municípios de Santo Antão prometeram “trabalhar” com o Governo para o reconhecimento, como património de Santo Antão, da localidade de Canjana, nas proximidades da Praia Formosa, conhecida pelo encalhe, em Novembro de 1947, do navio da marinha mercante John Schmeltzer.

Ainda não se esboçou qualquer iniciativa no sentido de preservação desse local, cada vez mais visitado, apesar das dificuldades de acesso, razão pela qual os excursionistas voltam a defender a classificação da Canjana e sua história como património histórico-cultural de Santo Antão.

Esse estatuto contribuiria, na opinião de alguns viajantes, para a preservação das ruínas das casas e dos vestígios do encalhe, que se vão perdendo com o tempo.

A Inforpress aproveitou a deslocação à Praia Formosa e à Canjana dos actores do grupo teatral santantonense Juventude em Marcha, no âmbito da rodagem da peça, precisamente, intitulada Canjana, para abordar as pessoas sobre o abandono desses sítios que, uma vez preservados (as ruínas das casas e o cemitério) podem transformar-se num importante ponto de atracção turística em Santo Antão.

O grupo teatral Juventude em Marcha, que está a adaptar a sua criação sobre Canjana ao cinema, pretende, também, reafirmar a importância da Canjana na história da ilha de Santo Antão e de Cabo Verde, no geral, segundo o actor e realizador Jorge Martins, para quem o telefilme, que resulta um trabalho científico feito à volta das fomes dos anos 40, vai ser “um documento preciosíssimo” para a historia de Cabo Verde.

Na opinião das pessoas, os vestígios dessa história persistem, mas podem desaparecer caso não seja feita “alguma coisa” no sentido da sua preservação, opinião defendida, também, pelo “grupo dos voluntários do Porto Novo” que já lançou alguns desafios com vista à protecção desse local e sua história.

Este grupo, que diz-se “preocupado” com o “esquecimento e abandono” de Canjana, propõe, além da preservação desse sítio, ainda a edificação de um monumento no local para simbolizar esse acontecimento, que marcou a história do século XX em Santo Antão.

“Os vestígios dessa história ainda existem, mas o seu desaparecimento é quase inevitável”, avisou, também, o guia turístico Odair Gomes.

John Schmeltzer, navio da marinha mercante dos Estados Unidos da América (EUA), que vinha da Argentina (Porto do Rosário) a caminho da Suécia (Gotemburgo), com mais de sete mil toneladas de carga bruta (milho, outros produtos) encalhou nas proximidades de Canjana, a cinco milhas náuticas de Ponta de Peça.

Esse naufrágio, que aconteceu na madrugada de 25 de Novembro de 1947, acabou por salvar “parte significativa” da população de Santo Antão de morrer à míngua, na sequência da fome que assolou Cabo Verde, em 1947.

JM/CP

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