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Santo Antão: Aposta dos agricultores em hortícolas faz do Porto Novo um produtor por excelência de produtos frescos

 

*** Por Jaime Medina, da Inforpress ***
Porto Novo, 12 Out (Inforpress) – A aposta, cada vez mais visível, dos agricultores portonovenses em horticultura, em detrimento da monocultura da cana sacarina, faz do Porto Novo um produtor por excelência de produtos frescos, no contexto da ilha de Santo Antão.

Embora não estejam disponíveis dados sobre a produção hortícola em Santo Antão, o MAA reconhece que os grandes centros produtores de cenoura, batatas, inhame, tomates e repolho nesta ilha ficam no Porto Novo, apesar da disponibilidade de água para a irrigação não ser assim tão expressiva.

Graças à aposta feita, nos últimos anos, no quadro dos investimentos públicos, na mobilização de água, aliada à opção dos próprios agricultores, Porto Novo assume-se, actualmente, no panorama de Santo Antão, como o maior produtor de batata comum, batata doce, inhame, cenoura, tomate e repolho.

Este concelho, onde a área irrigada tem vindo a aumentar, havendo sítios, como o caso da Ribeira da Cruz, onde a área duplicou nos últimos anos, quer, igualmente, ter um lugar de destaque a nível de fruticultura, dadas as excelentes potencialidades existentes.

Sem avançar dados concretos, os serviços do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) em Santo Antão confirmam que Martiene, Ribeira da Cruz, Alto Mira e Tarrafal de Monte Trigo, vales situados no interior do Porto Novo, são, respectivamente, os maiores produtores de batata comum, cenoura, batata doce e inhame, no contexto desta ilha.

Ainda no âmbito da “ilha das montanhas”, Ribeira Fria, outro vale do interior do Porto Novo, está a ombrear com Ribeirão, na Ribeira Grande, como sendo os maiores produtores de tomate em Santo Antão.

Alto Mira, além da batata doce, é também um excelente produtor de repolho, cebola e temperes verdes, segundo o agricultor Armindo Cosmo, também técnico do MAA.

O facto demonstrativo do peso do Porto Movo, em termos de horticultura em Santo Antão, prende-se com a presença, permanente, de operadores turísticos e comerciais dos concelhos do Paul e Ribeira Grande, no mercado informal da cidade do Porto Novo para adquirirem produtos.

Graças à mobilização de água subterrânea, no quadro do projecto hidro-agrícola do Porto Novo, implementado há precisamente dois anos, Ribeira dos Bodes e Chã de Norte emergem também na cena agrícola local como importantes produtores de frescos.

Martiene, uma das poucas localidades ainda sem a presença dos mil-pés, deve produzir, anualmente, mais de mil toneladas de batata comum, embora os produtores declarem apenas pouco mais de metade.

No Tarrafal de Monte Trigo, a produção do inhame anda à volta dos 700 toneladas/ano e, segundo o MAA, há boas perspectivas de colheita aumentar, de forma substancial, graças aos projectos em curso, que permitiram, por um lado, aumentar a área coberta por inhame, e, por outro, melhorar as técnicas de cultivo.

Com isso, registou-se a adesão de novos produtores, na sua maioria jovens, à essa actividade.

Em Ribeira da Cruz, apesar dos constrangimentos criados pela tempestade de 2016, que destruiu as infra-estruturas hidráulicas nessa zona, os 150 agricultores, também maioritariamente jovens, trabalham, nesta altura, para relançar a dinâmica antes existente, graças a um novo furo já em funcionamento, capaz de produzir 250 metros cúbicos de água/dia.

A ideia, segundo a Associação dos Agricultores da Ribeira da Cruz, é retomar a produção que se verificava antes das cheias de Setembro de ano passado, ou seja, voltar a produzir, em media, os cerca de 580 toneladas de produtos por ano.

No vale da Ribeira das Patas, o mais extenso do Porto Novo, onde o sector agrícola conheceu “algum declínio”, nos últimos anos, devido à “falta de investimentos”, os agricultores entendem que se deve apostar, no quadro do projecto de reordenamento dessa bacia hidrográfica, no relançamento da fruticultura.

Mesmo assim, Ribeira das Patas afigura-se entre os mais destacados produtores de citrinos (limão e laranja), produzindo, também, todos os anos, grande quantidade de mangas, apesar do envelhecimento das espécies.

Para os agricultores locais, a fruticultura deverá ser dada uma maior atenção no âmbito da reordenamento dessa bacia hidrográfica, cujos estudos devem ficar concluídos entre os finais deste ano e princípios de 2018.

Apesar de toda essa dinâmica, há, porém, percalços a tirar o sono aos agricultores no Porto Novo, onde sobressaem as precárias condições de acesso, aliadas ao problema do mercado.

Para os produtores, os investimentos realizados na mobilização de água deveriam ser acompanhados de desencravamento das localidades.

Chã de Norte, Martiene, Tarrafal de Monte são alguns dos vales cujas condições de acesso são ainda precárias, mas há os casos das localidades de Chã de Branquinho (onde se localiza a barragem subterrânea), Dominguinhas e Faial que estão mesmo isolados, sendo que o transporte dos excedentes faz-se através de burros e mulas.

Essa situação, segundo os agricultores, faz com que os produtos quando chegam ao mercado já não têm a qualidade desejada e há houve casos em que são retornados às localidades, para o desalento dos lavradores.

As restrições ainda existentes a nível de exportação, por causa do embargo imposto, há mais de três décadas, aos produtos agrícolas de Santo Antão, constitui outra revés para os agricultores, para quem essa medida tem estado a “sufocar ” a agricultura não só no Porto Novo, como é toda a ilha.

O embargo, levantado parcialmente, em 2013, com a operacionalização do centro pós colheita de Santo Antão, permite o escoamentos dos excedente desta ilha apenas para as ilhas do Sal e Boa Vista, mas, neste caso, a irregularidades nos transportes marítimos inter-ilhas dificulta muito.

Face às preocupações, insistentemente levantadas pelos agrícolas, partilhadas pelos serviços do MAA no Porto Novo, o Governo já admitiu a possibilidade de liberalizar a exportação dos produtores provenientes das localidades ainda sem mil-pés.

Trata-se dos casos de Martiene, Chã de Branquinho, Chã de Norte e Tarrafal de Monte Trigo, zonas ainda livre dessa praga daninha, que chegou a Santo Antão nos finais dos anos 70, vinda da Europa em plantas de jardim.

O centro pós-colheita, devido a sua má localização (fica na preferia da cidade do Porto Novo, afastado do porto), tem sido sub-aproveitado (nesses cinco anos de funcionamento tratou apenas 500 toneladas de produtos), mas o MAA garante estar em curso o processo de deslocalização desse espaço para as instalações portuárias, onde poderá servir melhor os produtores.

Por causa da praga dos mil-pés, mas também devido ao problema de água, os agricultores nos concelhos do Paul e Ribeira Grande, onde se produz ainda banana e fruta pão em grande quantidade, optam mais pela monocultura de caca de açúcar.

Estima-se que, pelo menos, dois terços de toda a área de regadio (mais de mil hectares) esteja, nesta altura, ocupada por cana sacarina para o fabrico do grogue, cuja produção ronda os dois milhões de litros por ano.

JM/JMV

Inforpress/Fim

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