Santiago: Cardeal propõe “trabalho de parceria” para “debelar” a fome e a desigualdade nos países lusófonos

 

Achada Igreja, 11 Out (Inforpress)- O cardeal Dom Arlindo Furtado propôs hoje às Cáritas dos países lusófonas a trabalharem em parcerias com outras estruturas, nomeadamente governos,  empresas e empresários, como forma de “debelar” a fome e as desigualdades na comunidade.

O bispo da diocese de Santiago lançou este repto na cidade de Achada Igreja, no concelho de São Salvador do Mundo, interior de Santiago, durante o acto de abertura do IX Fórum das Cáritas Lusófonas,  que decorre de hoje a 17 de Outubro.

Com excepção de Timor Leste, participam neste encontro reapresentantes de Cabo Verde, Brasil, Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau.

No dizer do cardeal, que falava em representação do bispo D.Ildo Fortes, presidente das Cáritas Cabo-verdiana, perante o desafio da fome e das desigualdades, o “djunta mon”, a cooperação e as parcerias de todos os níveis sociais e políticos são “absolutamente necessárias”.

O responsável religioso acredita que se cada um fizer a sua parte, estará a contribuir para a “felicidade das pessoas”.

“Há um conjunto de acções e medidas, políticas e intervenção e de organização que a gente precisa fazer para debelar (…) a fome e reduzir as desigualdades sociais”, disse..

Dom Arlindo, que reconhece que a fome e desigualdades são uma “realidade humana”, explicou que mesmo em países muito ricos, onde toneladas de alimentos são distribuídas, há fome.

“Há produção e há fome”, explicou, “porque os homens não fazem o suficiente para que o alimento chegue a todos”.

O responsável máximo da Igreja Católica em Cabo Verde mostrou-se particularmente preocupado com o espectro de mais um mau ano agrícola no arquipélago, mas diz acreditar que o país vai superar isto e dar outros saltos, para que a falta de chuva não atrapalhe em demasia a vida colectiva e familiar dos cabo-erdianos.

Por sua vez, o ministro da Presidência de Conselho de Ministros, Fernando Elísio Freire, em representação do Governo, considerou o mau ano agrícola um “desafio enorme”, mas sublinhou que o Executivo tem a Cáritas Cabo-verdiana como parceira.

Por isso , o governante pediu uma “acção concertada”, para que a insegurança alimentar não “tome conta no mundo rural, para que as crianças continuem a ir para as escolas, para que as pessoas possam continuar a ter acesso à saúde”.

No dizer do ministro, o Governo já tomou algumas medidas para “combater as desigualdades e a fome”, elencando a isenção de propinas e a criação do rendimento social mínimo para que as famílias possam ter acesso a alimentação, educação e a saúde.

Por seu torno, a secretária-geral da Cáritas Cabo-verdiana, Marina Almeida, lembrou que o fórum da Cáritas Lusófonas tem por objectivos partilhar as experiências, os desafios e consolidar os laços históricos, culturais e da rede a nível dos países lusófonos.

O tema principal deste encontro gira à volta da fome e a desigualdade nos países lusófonos e às respostas e o engajamento das Cáritas nos processos de transformação socioeconómica desses países.

Estarão igualmente em debate temas como agro-ecologia, economia solidária e os aspectos culturais na promoção da dignidade da pessoa humana.

Marina Almeida disse ainda que o encontro também vai servir para reflectirem sobre a continuidade do fórum criado deste 2000 e fazer balanço do mesmo.

O evento, que contou com a participação do bispo de Bafatá, Guiné-Bissau, D. Pedro, do presidente da Câmara Municipal de São Salvador do Mundo, Ângelo Vaz, do representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), párocos e  outras entidades, serviu ainda para o lançamento da campanha mundial “Compartilhe a Viagem”, dedicada à sensibilização e informação sobre imigração e refúgio.

FM/JMV

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