Santa Cruz: APC-CV esclarece que introdução da disciplina EMR nas escolas públicas “não é uma extensão da catequese” (c/áudio)

Pedra Padejo, 13 Abr (Inforpress)- A presidente da Associação dos Professores Católicos de Cabo Verde (APC-CV), núcleo de Santa Cruz, esclareceu hoje que a introdução da disciplina Educação Moral e Religiosa católica nas escolas públicas “não é uma extensão e nem complemento da catequese”.

Nilda Tavares, que falava em declarações à imprensa, à margem do I Fórum subordinado ao tema “Professores unidos na missão de transformar a sociedade”, que decorreu hoje, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Santa Cruz, afirmou que a introdução desta disciplina nas escolas públicas prevista para o próximo ano lectivo 2019/20 “faz mais do que sentido”.

A também docente, que pediu à sociedade para entender melhor “a essência” desta disciplina, que consta do acordo jurídico assinado entre a Santa Sé e o Estado de Cabo Verde, antes de estar a criticar, disse acreditar que se a sociedade tiver informações do programa, do objectivo e do que se pretende com a mesma, não vai se posicionar “contra”.

“Não é a catequese que se está a levar para as escolas, se calhar é isso que tem levado as pessoas a serem contra”, esclareceu a mesma fonte.

A título de exemplo, informou que no país existem duas escolas que já têm implementado esta disciplina (EMR), referindo-se ao “Miraflores” e ao “Amor de Deus”, na Cidade da Praia, que aliás, lembrou, são as escolas mais “procuradas”, cujos melhores alunos não são católicos e nem filhos de pais que professam este credo.

Por tudo isso, reiterou que a EMR “não é extensão da catequese, coisa nenhuma”, mostrando-se confiante de que se os pais tiverem acesso ao programa desta disciplina não vou dizer que se está a levar a catequese para dentro da escola, até porque, segundo ela, há um lugar próprio para se fazer a catequese.

“[Educação Moral e Religiosa católica] não é extensão e nem complemento da catequese, mas sim uma formação que se carece, tendo em conta a demanda da sociedade. Todos nós sabemos que a educação hoje está tão diferente que outrora. Se calhar precisa-se trabalhar mais a questão de valores para vermos se as coisas vão mudar um bocadinho, mas não tem nada a ver com catequese”, reafirmou a católica.

Conforme a mesma fonte, a avaliação da disciplina vai ser feita de forma qualitativa e não quantitativa, ou seja, os alunos não vão ser reprovados e que a mesma não vai contar para a média final, tendo em conta que se pretende que a mesma venha ajudar na formação pessoal dos alunos.

Na ocasião, explicou ainda que a disciplina não vai ser leccionada por um professor católico, mas sim por uma pessoa com perfil adequado para trabalhar esta disciplina que vai abordar temáticas como Páscoa, Natal, família, paz, humildade, caridade, entre outras.

Relativamente ao fórum, Nilda Tavares disse que o mesmo aobordou dois temas “extremamente importantes”, (“Os desafios da introdução da disciplina de Educação Moral e Religiosa (EMR) nas escolas” e “O papel do professor na formação integral da pessoa humana”, que visam chamar a atenção dos professores católicos sobre as suas responsabilidades sociais, tendo em conta a demanda da sociedade e, ainda, informá-los sobre a disciplina EMR, que está a ser trabalhada desde 2015.

Dar a conhecer aos professores os parâmetros da educação moral e religiosa, partilhar com os mesmos os desafios inerentes à introdução dessa disciplina no plano curricular, chamar a atenção dos professores sobre a sua importância na formação integral da pessoa humana e alertar os mesmos sobre o compromisso social a eles inerentes, são outro objectivos deste primeiro fórum.

O certame reuniu especialistas e representantes da Igreja Católica responsáveis junto do Ministério da Educação para a introdução da disciplina de EMR e contou ainda com a presença de professores de vários concelhos da ilha de Santiago e responsáveis da área da Educação.


FM/JMV

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