Santa Catarina: Projecto quer aumentar resiliência de florestas às mudanças climáticas e dar rendimentos as famílias

Assomada, 21 Mar (Inforpress) – O projecto “Reforço da capacidade de adaptação e resiliência no sector florestal em Cabo Verde” ‘socializado’ hoje em Serra Malagueta, Santa Catarina, quer mitigar e aumentar resiliência de florestas às mudanças climáticas e dar rendimentos as famílias.

Orçado em cinco milhões de euros (cerca de 550 mil contos), o projecto, que arrancou em 2017 e cujo término está aprazado para Junho de 2021, tem o financiamento da União Europeia, e visa aumentar a resiliência e capacidade de adaptação para enfrentar os riscos adicionais das mudanças climáticas na desertificação e degradação da terra em Cabo Verde.

Vai ser implementado nas ilhas de Santiago, Fogo e Boa Vista, sendo a área prevista de intervenção/(re)florestação de mais de mil hectares, mas que pode ser replicado, com as adaptações necessárias, nas ilhas não cobertas nesta fase.

O projecto, que visa mitigar e aumentar a resiliência nas florestas, neste caso em Serra Malagueta, segundo explicou o director-geral da Agricultura e Ambiente, José Teixeira, além das espécies florestais pretende implementar fruteiras nessa localidade, com o objectivo de aumentar o rendimento das famílias.

Já na ilha do Fogo, vai incidir na floresta de Monte Velha, onde há sempre incêndios e degradação de solos.

Na Boa Vista, tendo em conta que as tamareiras e coqueiros estão a dar “sinais de degradação”, o projecto vai intervir no sentido de controlar as acácias que estão a invadir a ribeira de Rabil e substitui-las por tamareiras e coqueiros.

Segundo José Teixeira, a eliminação das acácias vai estender-se à ilha de Santiago e estas serão substituídas por fruteiras ou espécies mais económicas e resilientes, ou seja, para que os agricultores e a comunidade possam tirar algum proveito delas.

Por sua vez, o representante da Associação dos Amigos para Desenvolvimento de Serra Malagueta, Mário Semedo, que vai executar o projecto naquela zona rural, disse que o mesmo “chegou em boa hora” e vai ajudar, “e de que maneira”, principalmente neste ano de seca e do mau ano agrícola.

Destacou o facto do projecto hoje socializado beneficiar toda a comunidade de Serra Malagueta, dando trabalho à população na limpeza de uma área de cerca de 54 hectares, no afastamento de plantas invasoras, produção de plantas endémicas, empregando, permanentemente, 20 viveiristas.

Conforme indicou, após a limpeza dessa área de terreno serão construídas caldeiras que servirão para combater a erosão e, ao mesmo tempo, retenção de mais água para as plantas.

A socialização do projecto enquadra-se nas actividades da FAO e Governo para a assinalar o Dia Internacional das Florestas e da Árvore, comemorado hoje, sob o lema “Florestas e Cidades Sustentáveis”.

Paralelamente ao evento, foi ministrada uma formação sobre as alterações climáticas destinada aos agricultores e a toda a comunidade e ainda foram fixados, simbolicamente, quatro marmulados “Siderxylon marginata”, no Parque Natural de Serra Malagueta.

FM/CP

Inforpress/Fim