Santa Catarina: PAICV questiona sobre paralisação das frentes de trabalho e pede sua retoma “imediatamente”

Assomada, 13 Mai (Inforpress) – O sector do PAICV em Santa Catarina questionou hoje sobre a paralisação das frentes de trabalho no concelho, no âmbito do programa para a mitigação da seca e do mau ano agrícola, e exigiu a retoma das actividades “imediatamente”.

Em declarações à Inforpress, o líder da bancada do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV- oposição) na Assembleia Municipal, Lamine Tavares, considerou a paralisação das frentes de trabalho “uma falta de respeito para com os homens do campo” e realçou que o seu partido tem solicitado informações sobre a gestão desse plano, mas que a edilidade “simplesmente” tem negado fornecer tais informações.

“Não entendemos o porquê desta paralisação”, questionou Lamine Tavares lembrando que a edilidade tinha aprovado um orçamento para o efeito e que o presidente da Câmara afirmara, a esse propósito, que o emprego ia até as épocas das chuvas

“Aliás esta foi uma garantia dada pelo próprio primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva”, enfatizou.

O líder da bancada do PAICV, que se fazia acompanhar de mais dois eleitos municipais, sublinhou que a paralisação das frentes de trabalho em Santa Catarina é uma “falta de respeito para com as pessoas do campo por parte da Câmara Municipal de Santa Catarina e do  Governo”.

Conforme sublinhou, assinaram um contrato-programa com o Governo no valor de 57 mil contos para mitigação da seca no concelho, razão por que gostaria de saber para onde foram alocados tal montante, uma vez que se paralisou por completo todas as frentes de trabalho em todas as localidades do município.

O PAICV pediu, entretanto, “mais respeito” para com os camponeses e criadores de gado, tendo exigido ainda que a autarquia “liquide todas as dívidas das quinzenas em atraso”, para que as famílias possam ter um rendimento e que lhes possibilite ultrapassar esta “situação complicada por conta do mau ano agrícola”.

Entretanto foi considerando que a implementação do plano de mitigação no concelho “não funcionou”, mormente no que diz respeito aos vales-cheques para o salvamento do gado, porquanto, os criadores de gado informaram que têm perdido os seus animais.

Na perspectiva do PAICV, “está claro que para além de se privilegiar amigos, os gestores das frentes de trabalho estão a lucrar…”.

Por isso, ressalvou que “estranha completamente esta postura por parte da Câmara Municipal e do Governo e exige mais respeito para com as pessoas do campo no concelho de Santa Catarina”.

Contactado pela Inforpress a esse propósito, a edilidade explicou que as frentes de trabalho no âmbito do plano de mitigação do mau ano agrícola terminaram, mas haverá uma extensão das suas actividades no âmbito dos projectos relacionados com a requalificação da cidade de Assomada, terminal rodoviário e construção de estradas de acesso, beneficiando várias famílias.

Sobre as dívidas que o PAICV diz que a autarquia tem para com os trabalhadores das frentes de trabalho, a mesma fonte esclarece que os pagamentos estão sendo processados todos os dias.

Entretanto, no que concerne à implementação do plano de mitigação, a edilidade tem uma leitura diferente, assegurando que foram abertas frentes de trabalho que beneficiaram mais de 2000 (duas mil) famílias em todas as localidades do concelho, e que foram levadas a cabo acções de mobilização de água.

Refutou, no entanto, a ideia de que houve mortes de animais justificando que a carne não baixou de preço no mercado, o que prova que o plano de mitigação funcionou.

FM/FP

Inforpress/Fim