S. Nicolau: PAICV “refuta em todos os sentidos” o acto da remoção da estátua de S. Gabriel do Miradouro Rezador (c/áudio)

Cidade da Praia, 30 Ago (Inforpress) – A bancada do PAICV na Assembleia Municipal (AM) da Ribeira Brava (S. Nicolau) “refuta, em todos os sentidos”, o acto do edil local, Pedro Morais, que mandou remover uma estátua do Anjo S. Gabriel do Miradouro Rezador.

A obra foi esculpida e oferecida à população da Ribeira Brava pelo escultor Sandro Brito, que alega não saber se era necessária uma autorização da câmara para colocar a estátua naquele local.

Na perspectiva do dirigente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde, mesmo que o escultor não tivesse comunicado à câmara sobre a sua intenção de colocar aquela estátua no Miradouro, “este eventual erro não justifica o “clamoroso erro” que o presidente cometeu.

“Não aceitamos atitudes dessa natureza por parte de pessoas que têm a responsabilidade para com a população”, disse o líder da bancada do PAICV (oposição), Antonino Pascoal Brito, ao ser abordado pela Inforpress, via telefone, a partir da Cidade da Praia.

Segundo ele, neste momento, a população de S. Nicolau e a da Ribeira Brava, em particular, está “extremamente triste, magoada e transtornada” pelo “acto insensato” praticado pelo presidente da câmara municipal local.

“O senhor presidente da câmara foi eleito democraticamente por quem, neste momento, ele está a maltratar seriamente”, lamentou o dirigente do partido da estrela negra, lembrando que S. Nicolau é uma ilha de “fortes tradições” culturais e religiosas e, por conseguinte, o Miradouro Rezador é um local de “referência histórica secular”.

Diz que enquanto cidadão estranha a “atitude impensável” do presidente da Câmara municipal da Ribeira Brava.

“Os poderes públicos locais e nacionais têm que ter muita atenção em relação a estas manifestações culturais populares”, sugeriu Antonino Pascoal Brito, acrescentando que o povo, quando elege as pessoas, fá-lo para o defender.

Instado se alguma vez a questão da remoção da estátua de S. Gabriel foi tratada na Assembleia Municipal, afirmou que não e, segundo ele, “nem tinha que ser necessariamente discutida” naquele órgão deliberativo, porque, diz, trata-se de um assunto da competência do presidente da câmara, enquanto órgão executivo.

Perguntado o que poderá estar por detrás daquela decisão do edil da Ribeira Brava, o líder da bancada do PAICV explicou que isto o é reflexo de uma “câmara desnorteada” por causa de uma “coligação forjada” por Pedro Morais à frente do GIRB (Grupo Independente da Ribeira Brava) com o Movimento para a Democracia (MpD), na base de uma “paz podre”.

Entretanto, a Inforpress tentou ouvir a versão do MpD na AM da Ribeira Brava, mas tal não foi possível. O primeiro contacto foi feito com o líder da bancada, Nelson Ramos, que, por estar de férias, remeteu o repórter para o vice-presidente da AM, Manuel Barros, que, infelizmente, não atendeu as chamadas.

Também não foi possível ouvir a explicação do presidente da CMRB, Pedro Morais.

LC/JMV

Inforpress/Fim