Retrospectiva Cultura/Ilha do Sal: Festival Internacional de Literatura foi o facto que marcou o cenário cultural em 2017 na ilha

Espargos, 02 Jan (Inforpress) – O Festival Internacional de Literatura realizado pela primeira vez na ilha do Sal foi o facto que marcou o cenário cultural local em 2017, acoplado ao Festival da Praia de Santa Maria, entre outros eventos culturais.

Nesta edição inaugural, o Festival Internacional de Literatura, onde participaram 50 escritores de diferentes latitudes, homenageou o escritor José Saramago – o único Nobel da literatura portuguesa -, e o poeta Corsino Fortes -, fundador e primeiro presidente da Academia Cabo-verdiana de Letras, integrando diversos painéis, durante os quatro dias do evento que teve lugar de 6 a 9 de Julho do corrente ano.

Idealizado pela Rosa de Porcelana Editora e a Curadoria José Luís Peixoto, o evento promovido pela Câmara Municipal do Sal teve como propósito impulsionar o diálogo entre autores, estudiosos, tradutores e mediadores da Literatura-Mundo, além de valorizar o destino turístico, destacando-se de entre os escritores, dez autores cabo-verdianos, nomeadamente Vera Duarte, Arménio Vieira, Jorge Carlos Fonseca, José Luís Tavares, Germano Almeida, Dina Salústio, entre outros.

Além do Festival da Literatura-Mundo do Sal, durante 2017 o município deleitou também os munícipes com arte, música e cinema.

Assim, a 27ª edição Festival da Praia de Santa Maria realizado nos dias 15 e 17 de Setembro sob o lema “Com bandeira azul cuidamos do Sal” foi outro momento marcante da agenda cultural local, elegendo a cantora salense Maria Alice, cabeça de cartaz do certame musical.

Além de pretender proporcionar um “bom festival”, a preocupação maior da nova equipa camarária, em funções há um ano, considera que o lema, foi o de levar uma mensagem específica de promoção e preservação ambiental, tendo em vista o futuro da praia de Santa Maria e consequentemente o futuro turístico da ilha do Sal, já que “principal contribuinte” para o Produto Interno Bruto (PIB), nacional.

Por outro lado, a III edição da Gala Dja D’Sal Awards, evento de muito glamour, criado pelo grupo UniMix Deejay’s, composto por 4 dj locais para condecorar e homenagear personalidades da ilha, em diversas áreas de actividade, exibiu no Cine Asa as melhores figuras que se destacaram neste ano a nível de desporto, música, intérprete masculino e feminino, DJ, artista em palco, instrumentista, Hip Hop e MixTapwe/EP.

No decorrer da Gala Dja D´Sal Awards foram também homenageadas outras figuras da ilha, nomeadamente Manuel de Deus Nereu, pelo contributo que tem dado para o desenvolvimento do carnaval salense e os atletas paralímpicos da ilha.

A 8ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cabo Verde (CVIFF), que teve lugar na cidade de Santa Maria, foi outro momento marcante no cenário cultural da ilha, onde foram exibidos 15 filmes de realizadores de diferentes países, destacando-se o filme do único realizador cabo-verdiano Neu Lopes, intitulado MOR (My Love), com uma duração de 48:10 minutos, a concorrer na categoria longa-metragem.

Esse ano, o CVIFF apresentou a categoria de estudante, onde apenas universitários de 3º e 4º anos em Cabo Verde poderiam inscrever-se, mas candidatou-se apenas uma aluna, pelo que teve que ser cancelada.

Neste particular, a produtora executiva Suely Neves, da V!Va Imagens, promotora do evento, prometeu trabalhar no sentido de alcançar esse desiderato.

O ministro da Cultura que fez o encerramento da 8ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cabo Verde desafiou a organização a expandir o festival de cinema aos bairros e promover autores salenses.

“Eu creio que o festival deve ir aos bairros, promover autores salenses e concursos a partir do pessoal que vive aqui no Sal”, reiterou, apontando que o facto de o festival de cinema acontecer em Santa Maria, a capital turística de Cabo Verde nada implica que a população do Sal não esteja incluída.

A nível da literatura, o escritor “Evel Rocha” lança em primeira mão, a sua mais recente criação literária, intitulada “Cisne Branco”, numa cerimónia integrada na programação do Festival Internacional de Literatura-Mundo.

O autor Ildo Rocha que adopta o pseudónimo, “Evel Rocha” explica que “Cisne Branco” retrata a estória de uma jovem que tenta fugir à miséria da sua ilha, a ilha do Sal, o meio onde ela vive, tenta triunfar-se de todas as formas, consegue até fazer uma formação superior, mas nunca consegue libertar-se da miséria moral.

“Esta é uma obra que me deu muito prazer em escrever por ser escrito no feminino e por retratar a realidade da sociedade”, manifestara na ocasião.

Ainda na literatura, Francisco Tomar dá à estampa a sua mais recente obra literária intitulada “Poesia, Vivências e Fantasias”.

“Poesia, Vivências e Fantasias” é um livro de poesias de 162 páginas, ostentando uma compilação de 76 versos, disseminados em três períodos, sendo: Prelúdio Poemas de Luta, o segundo trecho “Amor e outras Estações”, enquanto a última parte intitula-se “Vivências e Sentimentos”.

E, um dia desses, promete voltar com “Crónicas da nossa vivência”, já pronto.

Também a escritora Vera Duarte apresentou aos salenses em primeira mão o seu mais recente trabalho literário intitulado “A Matriarca – Uma Estória de Mestiçagens”.

Trata-se de um romance polifónico que dá voz a várias gerações e procura resgatar a mestiçagem ancestral e contemporânea dos cabo-verdianos, cujo enredo baseia-se em duas estórias de amor que se cruzam.

SC/FP

Inforpress/Fim