Retrospectiva/ Cultura: Morte e ressurreição do AME marcam o ano de 2017

 

Cidade da Praia 23 Dez (Inforpress)-  O ano cultural 2017 ficou marcado pelo anúncio, por parte do Governo, do fim do Atlantic Music Expo (AME-CV), mas dias depois um grupo de activistas privado abraçou este projecto, ressuscitando assim o AME.

Após à realização da V edição do AME, no mês de Abril, na Cidade da Praia, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas foi confrontado com o relatório da Inspecção-Geral das Finanças (IGF) sobre a gestão do Banco da Cultura, onde se demonstrou que o projecto AME apresenta grandes constrangimentos para o seu financiamento, para a sua sustentabilidade e para a prestação de contas.

Anualmente, os custos de cada edição do AME variam entre 32 e 34 mil contos, sendo que a edição de 2017 só foi possível devido à dotação de 22 mil contos directamente do Orçamento do Estado.

Diante disto, o MCIC decidiu, no mês de Novembro, não contemplar o AME como uma das prioridades orçamentais para o ano de 2018, uma vez que este evento estava a consumir 1/3 do orçamento de investimento deste ministério.

Entretanto, o Ministério da Cultura mostrou-se aberto para receber propostas de privados que queiram fazer concretizar o projecto e promover a sua realização nos próximos três anos.

Dias depois, um grupo de pessoas ligado ao sector da cultura começou a mobilizar apoios com o intuito de não deixar o projecto morrer. Da iniciativa, os entusiastas conseguiram apoios nacionais e internacionais e uma garantida do primeiro-ministro que disponibilizou 10 mil contos do Fundo do Turismo.

Na sequência, o novo director-geral do Atlantic Music Expo, o produtor musical e manager Augusto Veiga (Gugas) anunciou, durante uma conferência de imprensa, que a VI edição AME acontece de 17 a 19 de Abril de 2018.

Este ano, a anteceder o AME, a Cidade da Praia acolheu a quinta edição do Grito Rock, certame que aconteceu de 28 de Março a 0 8 de Abril. Em seguida, foi a vez da IX edição do Kriol Jazz Festival que homenageou o musico cabo-verdiano Humberto Bettencourt Santos (Humbertona).

Já no mês de Maio, realizou-se mais uma edição, a VII, dos Cabo Verde Music Awards (CVMA), em que Nelson Freitas e Djodje foram os grandes vencedores da noite. Nos dias 19 e 20, a Cidade da Praia recebeu a XXV edição do Festival de Música da Gamboa, que homenageou a rainha de finason, Nha Nácia Gomi.

No mês de Julho, aconteceu a terceira Gala Somos Cabo Verde e o destaque foi para a modelo Alécia Morais, que venceu, pela terceira vez consecutiva, na categoria “Moda”. O Prémio “Mulher do Ano” foi para Teresa Mascarenhas, presidente da Acarinhar, e “Homem do Ano” para José Melo, da Biosfera 1.

O Governo lançou, no mês de Setembro,  o edital de financiamento de projectos culturais para o ano 2018, tendo recebido 113 candidaturas, vindas da sociedade civil e de criadores.

Outro grande marco durante do ano de 2017, foi a realização, pela primeira vez, do Morabeza- Festa do Livro, um evento literário que reuniu, de 30 de Outubro a 05 de Novembro, na Cidade da Praia, 40 escritores de vários países de África, Ásia e Europa.

Este evento, inicialmente ficou marcado pela polémica de que os escritores José Luís Tavares, Arménio Vieira e Germano Almeida, não iam participar por terem discordado com a forma como o evento estava a ser organizado pela empresa portuguesa, a Booktailors e por não terem sido convidados.

Entretanto, dias depois, o Governo viria  anunciar que apenas José Luís Tavares declinou o convite e confirmou a presença dos outros, alegando que houve falha na comunicação.

A anteceder o Morabeza- Festa do Livro, a Cidade da Praia recebeu, no mês de Outubro, o VII Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, com a participação de escritores, cineastas, jornalistas de diferentes países, uma iniciativa da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), em colaboração com a Câmara Municipal da Praia.

No mês de Outubro, Cabo Verde marcou presença em Showcase da 23ª edição do World Music Expo (WOMEX 17), que decorreu na Cidade de Katowice, na Polónia, com os músicos Bitori Nha Bibinha, considerado um dos ícones do funaná, e Chando Graciosa.

Ainda o grupo “Cabo Verde Show” assinalou os 40 anos da existência, com um espectáculo na Cidade da Praia e no Mindelo, São Vicente.

A Cidade da Praia foi classificada pela Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura (UNESCO) como a Cidade da Música, transformando-se numa das mais nova da Rede de Cidades Criativas da UNESCO.

O ano de 2017 ficou marcado pela entrega de medalhas de mérito cultural aos criadores cabo-verdianos, durante a abertura da Feira de Artesanato e Design – URDI no Mindelo, ilha de São Vicente, com as medalhas de 1º grau atribuída a Luísa Queirós, a título póstumo, Manuel Figueira, Bela Duarte e Joana Pinto, e medalha de 2º grau Voginha.

Ainda no mês de Novembro, o Museu Etnográfico da Praia comemorou 20 anos de existência com uma exposição temporária sobre “a Panaria cabo-verdiana: a sua importância e os novos usos”.

Durante este mês, a Cidade da Praia acolheu a IV edição do Festival Internacional de Cinema e o fórum sobre audiovisual, enquanto a Ilha do Sal foi palco da III edição da Gala Dja D´Sal Awards.

A Festa de São João Baptista foi classificada pelo Governo como a Património Cultural Imaterial Nacional.

O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, foi agraciado com o Troféu Raça Negra, no dia 20 de Novembro, em São Paulo, Brasil, num evento organizado pela Afrobras, que serve para assinalar o Dia Nacional da Consciência Negra.

A nível da música, o ano de 2017 ficou marcado por lançamento do novo single “Akredita”, do rapper cabo-verdiano Batchart, que conta com a participação de Djodje e do coral da Escola Secundária Jorge Barbosa.

Ainda na música, o rapper Hélio Batalha promoveu um espectáculo, no Palácio da Cultura Ildo Lobo, para comemorar um ano do lançamento do álbum “karta de Alforria” e para lançar o seu novo single “Ka ta da”.

O artista da Broda Music Ricky Boy lançou o seu quarto álbum intitulado “Festa Bedju”, enquanto Gilyto lançou, de uma sentada, três singles “Trilogy”, com os temas “Furação”, “Miss Kizomba” e “Mr.Entertainer” do seu álbum “Dance Floor” (Pista de Dança, em português).

Elida Almeida lançou o seu segundo álbum “Kebrada”, enquanto Cremilda Medina lançou “Folclore”.

O artista Nélson Freitas conquistou três das quatros categorias em que esteve nomeado na 3ª edição dos African Entertainment Award USA 2017, que teve lugar no dia 21 de Outubro, nos Estado Unidos da América.

O artista cabo-verdiano Gilyto Semedo recebeu, no mês de Novembro, o troféu “Entertainment and Social Impact”, durante a gala da Cimeira Humanitária Pan-Africana, que teve lugar na cidade de Dar Es Salaam, na Tanzânia.

Na literatura, José Luís Tavares publicou “Contrabando de Cinzas”, “Polaroides de Distintos Naufrágios” e “Rua Antes do Céu”.

Ainda no domínio do livro, ex. toxicodependente José Luís Tavares Vaz lançou “A Toxicodependência é uma doença Tratável: Como e onde se tratar”; a realizadora Artemisa Ferreira, deu a estampa o seu segundo livro de poesia “Gruta Abençoada”, enquanto Eutrópio Lima da Cruz lançou o livro de romances “Degradações e Esperanças”.

O ano terminou em termos de programação cultural com a VII edição Noite Branca, na Cidade da Praia, que decorreu nos dias 15,16 e 17 de Dezembro, cuja abertura estava a cargo do artista Ricky Boy e Princezito.

AM/JMV/CP
Inforpress/Fim