Inicio Destaques Retrospectiva 2017/São Nicolau: Ilha viveu uma situação social muito frágil – autarcas

Retrospectiva 2017/São Nicolau: Ilha viveu uma situação social muito frágil – autarcas

Cidade da Praia, 29 Dez (Inforpress) – A ilha de São Nicolau viveu no ano de 2017, que ora vai terminar, uma situação social “muito frágil”, consideram os presidentes das câmaras da Ribeira Brava e do Tarrafal, Pedro Morais e José Freitas de Brito, respectivamente.

Em conversa com a Inforpress para o balanço deste ano, os autarcas sanicolauenses afirmaram que a falta de chuva que se vive em todo o país veio agravar a situação da ilha que anteriormente não era boa derivada de várias situações.

De entre essas situações, Pedro Morais apontou o desemprego e o problema de habitação, que, apesar dos esforços, a edilidade, não conseguiu responder, de forma cabal, devido à falta de recursos para tal.

As dificuldades em termos de transportes de e para ilha com sucessivos cancelamentos dos voos e alteração nas datas das viagens de barco acabaram também por causar constrangimentos enormes às pessoas e à ilha.

A nível da saúde o edil ribeira-bravense falou das dificuldades no acesso às consultas de especialidades, da falta de equipamentos para exames como a ecografia e das dificuldades que os doentes passam durante as evacuações.

Se o desemprego já era um problema, este ano com a seca, outras famílias, sobretudo as que vivem da agricultura e da criação de gado, viram-se privadas do seu rendimento, complicando ainda mais a situação.

“São Nicolau quando chove não temos muitos problemas porque as pessoas estão dentro das suas hortas e conseguem tirar alguma rentabilidade dos seus terrenos. Por isso, o mau ano agrícola veio agravar a situação”, disse Pedro Morais, apontando também para a praga de carrapatos que vem atacando os animais.

No município do Tarrafal, José Freitas de Brito adiantou que há também famílias que passam por “maus momentos” devido à situação de seca que afecta, de uma forma geral, todo o país.

Entretanto, apesar das dificuldades, tanto os municípios da Ribeira Brava como do Tarrafal registaram algumas realizações.

Na Ribeira Brava, destaque para a instalação do Banco Alimentar, que deve ser ampliado em 2017 por forma a responder às necessidades das pessoas em termos de alimento.

Sobretudo, neste momento, esse banco alimentar poderá ter um papel fundamental e, por isso mesmo, a edilidade está em busca de apoios junto dos emigrantes para ter mais recursos e ajudar mais pessoas que precisam.

A inauguração da casa do pescador, em Ribeira Alta, para alojar os homens do mar antes e depois da faina piscatória, a reabilitação de habitações de pessoas mais carenciadas, a construção de uma sala de aula e três casas de banho na escola de Carriçal, foram outras realizações de Ribeira Brava, que, segundo o edil, está também a trabalhar para melhorar o sector do turismo no município e na ilha.

No Tarrafal houve também realizações tendo em vista a melhoria das condições de vida aos munícipes.

Para já, José Freitas de Brito adiantou que a edilidade já tem pronto o projecto de acessibilidade para desencravar a localidade de Fragata, no interior da ilha, devendo as obras arrancar no início de 2018.

A autarquia trabalhou também na requalificação de várias localidades, nomeadamente Alto Fontainhas, Alto Saco, Campo Pedrada e São João Baptista. Intervenções também foram realizadas a nível da melhoria das vias, designadamente, a estrada que dá acesso a Palhal de Hortelã entre outras, com impactos visíveis junto da população.

A nível da habitação, através do programa “Melhorar a minha casa”, várias casas foram reabilitadas.

O edil lamenta, entretanto, a não implementação do projecto de requalificação da Praia de Telha, devido à falta de recursos.

A questão do saneamento é outro aspecto que não ficou totalmente resolvido, pelo que José Freitas de Brito espera no próximo ano introduzir melhorias com a aquisição de mais uma viatura para fazer a recolha do lixo e dar um “forte combate” aos cães vadios.

Os presidentes das duas câmaras da ilha de São Nicolau estão esperançados num ano novo melhor, apesar das complicações da seca que, segundo eles, “deverão agravar-se”. Entretanto, pedem mais colaboração do Governo para sair desta situação sem que a população passe por muitos sacrifícios.

MJB/CP

Inforpress/fim