Reitora da Uni-CV apela aos decisores políticos a capitalizar e implementar politicas que não discriminam os mais vulneráveis

 

Cidade da Praia, 05 Dez (Inforpress) – A reitora da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), Judite Nascimento, apelou hoje aos decisores políticos a capitalizar e implementar políticas que não discriminam os mais vulneráveis assim como atitudes negativas relativas às pessoas com deficiência.

Judite Nascimento fez este apelo durante o ateliê de socialização dos “Estudos de Acesso aos Cuidados de Saúde Sexual e Reprodutiva das Mulheres com Deficiência e VIH”, realizado pelo Centro de Investigação e Formação em Género e Família (CIGEF) da Uni-CV, em parceria com o Instituto Cabo-Verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG) e a ONU Mulheres.

“Do resumo das conclusões da investigação verificamos que, apesar dos avanços e da nossa sociedade estar mais aberta, ainda persistem preconceitos e atitudes negativas relativamente as pessoas que são atendidas em determinadas instituições, sobretudo, no seio da sociedade e das famílias, para com as pessoas mais vulnerável”, afirmou.

Conforme a reitora da Uni-CV, para haver mudança é preciso transformar o princípio do bem para todos, assim como o respeito pelo próximo.

A mulher, ressaltou, é e continua a ser a franja mais vulnerável da sociedade quando se trata de fenómenos ligados à violência, HIV/Sida ou outros, pois, sustentou, ela é o centro da família e a que garante a estabilidade social e económica.

Focando no papel da Uni-CV, Judite Nascimento elogiou o desempenho do CIGEF pelo trabalho que tem prestado com as suas investigações, particularmente, nesta temática.

Para a representante da ONU Mulheres em Cabo Verde, Vanilde Furtado, o dia de hoje representa um momento “estratégico e propício” para se falar de um grupo de mulheres e meninas que por razões de género ou outros fatores, que se intersectam, sofrem, de forma desproporcional, as questões de pobreza, trabalho, cuidados e da violência.

“É disto que estamos aqui a falar, e não podíamos levar adiante uma campanha que fala de mulheres sem destacar um grupo específico que sofre, de forma ainda maior, a questão da violência e discriminação”, disse.

O estudo sobre as formas de violência ou as desigualdades em termos de acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva das mulheres com deficiência e VIH, segundo Vanilde Furtado, “é importante” e visa responder as recomendações do comité do CEDAW ao país, relativamente, ao aprofundamento de informações e conhecimento de serviço de qualidade às mulheres deficientes.

Neste âmbito, felicitou o CIGEF, o Governo e sociedade civil que, “mais uma vez, traz à tona um produto de qualidade, com evidências, que dá voz as que não têm voz e pode subsidiar políticas de respostas especificas” para as necessidades diferenciadas deste grupo de mulheres e meninas.

Já a presidente da Associação Cabo-verdiana de Promoção e Inclusão das Mulheres com Deficiência (APIMUD) Naldi Veiga, o resultado do estudo confirma a denuncia feita pelas mulheres deficientes e portadoras do HIV/Sida sobre o tratamento diferenciado a que são sujeitas e vários serviços, particularmente, no sistema de saúde do país.

“São situações que descrevem violação de direitos quanto ao poder de decisão da mulher deficiente, negação ao direito à informação, privacidade e garantia de sigilo profissional, assim como direito a serviços de atendimento de qualidade e centrado nas pessoas e suas necessidades”, explicou.

Naldi Veiga, em declarações à Inforpress, disse que as mulheres deficientes não querem mais do que o cumprimento da Constituição e que sejam respeitados os seus diretos, pois, frisou, “existem muitas leis que na prática não funcionam”.

E porque Cabo Verde assumiu um compromisso de promoção da igualdade de género, da não discriminação e do empoderamento das mulheres, e, particularmente, da promoção da saúde sexual e reprodutiva das mulheres (e não só) através da sua adesão aos tratados e convenções internacionais, Naldi Veiga exige o cumprimento dos acordos rubricados.

PC/CP

Inforpress/Fim