Reconhecimento dos direitos autorais em Cabo Verde vai banir utilização indevida das obras dos criadores – Tété Alhinho

Cidade da Praia, 29 Ago (Inforpress) – Com cerca de 50 composições, Tété Alhinho é autora, compositora e intérprete de referência no panorama musical cabo-verdiano e rejubila-se pela forma como Cabo Verde passa a fazer a colecta dos direitos autorais e pago directamente no país.

Com 10 discos já editados a solo e quatro com o agrupamento musical “Simentera”, Tété Alhinho define-se como uma artista que encontrou no leito, a paixão para singrar-se no campo musical e que herdou a música da própria mãe.

Em entrevista à Inforpress, a cantora garantiu que a Sociedade Cabo-verdiana da Música (SCM) tem feito um “grande trabalho” para a preservação dos artistas nacionais, ressalvando ter conhecido os moldes, a estrutura e o interesse, face a inserção das estruturas autorais em todo o mundo.

A autora de “Bejo Furtado” é de opinião que a equipa da SCM tem estado a trabalhar para a defesa dos direitos autorais e conexos, juntamente com as sociedades filiadas num trabalho em rede mundial e que permite colectar, em qualquer parte do mundo, o que o artista cabo-verdiano faz.

“É bom para o artista, é bom  para o país e é bom para a nossa cultura, porque é a defesa dos direitos e a criação de uma base de dados, em relação aos compositores e só temos todos a ganhar. E é o respeito que se vai ganhar pelo compositor, porque já se sabe que há uma entidade que vai realmente cobrar”, sentenciou Tété Alhinho.

Por isto, a cantora mostra-se convicto que esta ofensiva da SCM, vai banir a utilização indevida das obras dos autores e promover o devido reconhecimento, monetário e não só, de quem realmente cria obras, evitando assim a deturpação das letras e o mundo do compositor, o responsável pela projecção dos intérpretes.

Por isto, revê na Sociedade Cabo-verdiana de Música, pois entende que veio ocupar o vazio que se sentia junto da Sociedade Cabo-verdiana de Autores “simplesmente porque a SOCA (Sociedade Cabo-Verdiana de Autores) não funcionou no campo musical”.

Ainda na promoção do seu mais recente trabalho discográfico, “Mornas Ao Piano”, editado em 2017, Teté Alhinho aponta o 25 de Abril como momentos “culturalmente forte” e que teve um papel influente na sua carreira musical, momento com o qual viera a ganhar mais ênfase com a sua ida aos estudos em Cuba, país considerado forte no campo cultural, donde “saboreou” a música tradicional cubana antes de ganhar o gosto pela música mexicana.

Ainda assim, foi em Portugal que gravou o seu primeiro LP “Mares do Sul” com o multi-instrumentista Paulino Vieira e Péricles Duarte em 1988, tendo dado a conhecer a música tradicional cabo-verdiana a quatro partes do mundo com concertos em países como França, Holanda, para em 1991 ingressar no grupo “Simentera” até começar a sua carreira a solo.

Estas saídas fizeram com que Tété Alinho, compositora de temas consideradas autênticos cancioneiros cabo-verdianos, como “Bejo Furtado”, Dia T´Chuva Bem”, “A téma”, “Chibinho”, “C´Lamor”, “Coladera Nobo” (Simentera), “Conversa Adiada”, “Desabafo” “Dia Qui’m Vira”, “Mudjer”, “Terra Verde”, tenha o seu estilo de mornas, influenciado pelo toque de “bolero”, dada a sua vivência da cultura latina-americana.

Esposa, mãe e artistas, nascida na cidade do Mindelo, considera-se uma mulher de múltiplas funções que soube partilhar o êxito da sua carreira “com muito trabalho e sacrifício” para fazer o que gosta de fazer e transmitir este entusiasmo artístico aos filhos, que souberam potencializar os seus dotes musicais.

SR/CP

Inforpress/Fim