Recenseamento Geral da Agricultura revela aumento do número de parcelas de regadio e diminuição no sequeiro

 

Cidade da Praia, 26 Set (Inforpress) – O 5º Recenseamento Geral da Agricultura revelou hoje que de 2004 a 2015 o número de parcelas de regadio aumentou 22,2% enquanto de sequeiro diminuiu 1,7%, no total de 74.944 parcelas agrícolas.

Os dados foram divulgados na Cidade da Praia durante a apresentação pública dos resultados do 5º Recenseamento Geral da Agricultura 2015, que contou com as presenças dos ministros da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, das Finanças, Olavo Correia, do representante da FAO em Cabo Verde, Rémi Nono Womdim e do representante do Banco Africano para o Desenvolvimento (BAD), Vincent Ngendakumana.

Segundo o director de Estatísticas do Ministério da Agricultura e Ambiente, Inussa Barry, comparativamente com 2004, altura da realização do IV Recenseamento Geral da Agricultura, pode-se constatar que houve também a diminuição do número de parcelas agrícolas em 12,5%, ou seja, passou de 85.671 para 74.944.

Entretanto, apesar de um “aumento significativo” do número de parcelas de regadio de 10.612 em 2004 para 12.563 em 2015, o de sequeiro continua a dominar no país, sendo que em 2004 existiam 73.852 parcelas e em 2015 desceu para 61.415.

“A tendência é para uma queda de agricultura de sequeiro quando comparado com agricultura de regadio. Este aumento tem vindo a verificar-se desde 2004 quando não havia barragens, mas sim derivado de um conjunto de políticas que foram implementadas para a promoção da agricultura, juntamente com o aumento de água”, explicou Inussa Barry.

Conforme o director, a área cultivada em Cabo Verde é de 36.456 hectares, representando 9,1% do território nacional, mas a produção de sequeiro, que é “dominante no país”, não chega para satisfazer as necessidades básicas da população, sendo que em bons anos agrícolas cobre 20 a 25% das necessidades, enquanto em maus anos agrícolas não ultrapassa os 5%.

Ao intervir na cerimónia, o ministro Gilberto Silva reconheceu que as estatísticas são importantes, notando que o desafio agora é tirar proveito do V Recenseamento Geral da Agricultura 2015 e implementar novos inquéritos e sondagens que permitam produzir estatística agrícola de forma permanente e apoiar nas decisões a nível da governação e da produção.

O ministro acredita que, desta forma, será possível mitigar os preços no mercado, algo que considera ser essencial para o “tecido produtivo”, sustentando que os resultados hoje apresentados constituem uma base de trabalho para se poder melhor a contabilizar a agricultura a nível nacional.

Por sua vez, o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em Cabo Verde, Rémi Nono Womdim, precisou que melhorar a estatística agrícola foi sempre uma “grande preocupação” para a FAO, dado a importância do sector para a economia do país.

Para a realização do V Recenseamento Geral da Agricultura o Governo disponibilizou mais de 100 mil contos, com o apoio dos seus parceiros, nomeadamente a FAO e o BAD que hoje reiterou o seu engajamento em continuar a ajudar Cabo Verde, e colocou mais de 400 técnicos no terreno.

Ao longo da sua história, Cabo Verde já realizou cinco Recenseamento Geral da Agricultura (RGA), sendo que o primeiro em 1963 e os quatro últimos, após a independência, respectivamente em 1978, 1988, 2004 e em 2015.

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