Professor Brito Semedo lança livro sobre representação social do médico em Cabo Verde

Cidade da Praia, 07 Dez (Inforpress) – O antropólogo Manuel Brito Semedo lança hoje na Cidade da Praia “A representação social do médico em Cabo Verde”, um livro de recuperação memória e que representa uma homenagem aos primeiros médicos de Cabo Verde.

A obra resulta de uma conferência proferida este ano pelo antropólogo por ocasião do 20º aniversário da Ordem dos Médicos, aborda o prestígio social de que gozavam e ainda gozam os médicos no arquipélago.

Segundo autor, é um contributo, ainda que pequeno, para a recuperação de memória na área da medicina, sobretudo pensando em gente mais nova.

“Cá em Santiago dizia-se ‘Debaixo de Deus só senhor Doutor’. Portanto, há esse conceito do médico que era uma figura importante, uma figura de recurso que envolvia mesmo a título pessoal para ajudar as pessoas, sobretudo, os mais pobres.”, disse.

Para abordar a questão da representação do médico, Brito Semedo conta que pegou em três aspectos, designadamente médicos que deram nome às ruas, portanto foram reconhecidos na sua época, tem uma estátua ou busto numa praça e/ou mornas ou poesia.

O livro apresenta o percurso e a história de 16 médicos que trabalharam em Cabo Verde desde o período colonial até a independência e à chegada dos primeiros bolseiros da medicina, ou seja, os primeiros médicos cabo-verdianos.

Num primeiro momento, fala de médicos militares e civis português, pegando depois nos cabo-verdianos do período colonial até os anos 60 e uma terceira geração na continuidade até chegar a independência.

Cruzando a independência, o autor marca o fecho do trabalho com a listagem de médicos que nessa altura estavam em exercício, que já incluía os primeiros bolseiros de Cabo Verde.

“O que tenho aqui neste trabalho são 16 médicos e homenageio o primeiro médico cabo-verdiano que é Júlio José Dias, de São Nicolau, e a única mulher médica, a doutora Maria Francisca”, disse indicando que para a realização desse trabalho fez pesquisa documental conversou com os familiares e pesquisou para obter informações de fotografias.

Brito Semedo termina o livro com três sugestões visando a preservação e homenagem daqueles que foram os primeiros médicos a trabalhar em Cabo Verde: a primeira vai no sentido da musealização dos equipamentos médicos antigos, a segunda, elaboração da histórica da medicina em Cabo Verde e a terceira, emissão de uma série de selos postais intitulado mestres ilustres em Cabo Verde.

O livro, que tem a chancela da Livraria Pedro Cardoso, vai ser lançado às 18:00, na Biblioteca Nacional e a apresentação vai estar a cargo do bastonário cessante da Ordem dos Médicos, Daniel Silves Ferreira, que convidou Brito-Semedo a abordar o tema no ciclo de conferência.

MJB/CP

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