Procuradora aponta o desporto, as universidades e os locais de trabalho como os sítios onde mais acontecem o assédio sexual

Cidade da Praia, 06 Dez (Inforpress) – A Procuradora da República Mara Dantas apontou hoje o desporto, as universidades e os locais de trabalho como os três sítios onde mais acontecem o assédio sexual e solicitou dos atletas mudança de atitude perante tal situação.

Mara Dantas fez essa leitura quando falava à imprensa sobre o tema da conversa aberta que dissecava está tarde, no auditório da Federação Cabo-verdiana de Futebol, denominado “Assedio no Desporto: reflectir para prevenir – Um olhar à luz da legislação”.

O debate, que foi associado aos 16 dias de activismo pelo fim da violência contra mulheres e meninas, da ONU Mulheres, foi promovido pelo Comité Olímpico Cabo-verdiano, através da Comissão Mulher e Desporto, que considera o assédio sexual como um problema que pode acontecer em todos os sítios onde exista autoridade por decorrência das funções.

Passando um olhar sobre a Constituição da República quanto ao tema assédio, a magistrada adiantou que, além de ser criminalizado, o assédio está relacionada as condutas para com outras, para ter favores sexuais, que acontece muito nas mulheres, por causa de uma cultura de machismo baseada num desequilíbrio do género.

“A todas estas questões se dá hoje muita importância, pois, não se trata apenas de criminalizar, mas também de tentar mudar uma determinada cultura e actuação”, assegurou.

Por esta razão, solicitou dos atletas uma mudança de “atitude” perante casos de género, visando com isso dar combate ao assédio, sem ter de recorrer aos processos criminais.

Para a promotora do evento e da Comissão Mulher e Desporto, Natacha Migalhas, o objectivo da comissão foi o de associar-se aos 16 dias de activismo pelo fim da violência contra mulheres e meninas.

“Uma vez que o desporto é considerado como uma das ferramentas de empoderamento das mulheres, escolhemos o tema visto que sentimos que havia necessidade de falar mais por não ser muito abordado pela sociedade”, asseverou.

Segundo Natacha Magalhães, as estatísticas referentes ao assédio sexual no país é ainda muito “tímido”, pois, os números referenciados não traduzem a realidade, uma vez que, na Procuradoria, existem apenas 16 queixas de âmbito nacional.

E porque o desporto é considerado como uma ferramenta para combater fenómenos de abuso, seja físico ou verbal e assédio de natureza moral ou sexual, a Comissão Mulher e Desporto quer consciencializar dirigentes, treinadores e atletas para os riscos de práticas nocivas à saúde física e mental, no seu ambiente de trabalho.

No entanto, apesar de não se conhecer, publicamente, nenhum caso e nem estatísticas do assédio no desporto, Natacha Magalhães acredita ser necessário que se fale do tema, considerado ser um tabu na nossa sociedade.

PC/JMV
Inforpress/Fim