Primeiros migrantes do Aquarius chegaram ao porto de Valência, em Espanha

Valência, 17 Jun (Inforpress) – Os primeiros migrantes socorridos pelo navio Aquarius, da organização não-governamental SOS Mediterranée, começaram hoje a chegar ao porto de Valência, em Espanha, revelaram as agências internacionais.

Segundo a agência France Presse, os primeiros migrantes do navio Aquarios chegaram ao porto de Valência pelas 05:33 (03:33 em Cabo Verde), ao passo que a agência EFE descrevia, à mesma hora, que a silhueta branca do Dattilo, o barco de patrulha da guarda costeira italiana em que viajaram 274 migrantes estava já alinhada na entrada do porto de Valência, onde deverá atracar às 07:00, depois oito dias de travessia.

O porto de Valencia está preparado para receber a chegada repartida de 630 migrantes que viajam a bordo de três barcos: 274 no Dattilo, 106 no Aquarius (que será o segundo a chegar) e 250 no navio da armada italiana Orione, o último que está previsto entrar no porto espanhol.

Estava previsto que o navio Aquarius, da organização não-governamental SOS Mediterranée, aportasse hoje em Valência, Espanha, com 629 migrantes a bordo, após uma odisseia de vários dias.

A chegada do navio a Valência deve-se a uma oferta do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, que disse ser necessário “evitar uma tragédia humanitária”.

O Governo de Itália recusou no dia 10 autorizar o Aquarius a desembarcar num porto italiano os 629 migrantes, resgatados do mar em várias operações durante o dia anterior.

A Itália defendeu que devia ser Malta a acolher os migrantes, entre os quais há 123 menores, mas as autoridades maltesas sustentaram que a responsabilidade era de Itália porque as operações de salvamento dos migrantes ocorreram numa zona marítima coordenada por Roma.

Face ao impasse, a Espanha ofereceu-se, no dia 11, para acolher os migrantes, tendo o Aquarius efectuado a viagem em direcção a Valência escoltado por duas embarcações da Marinha italiana, com as quais repartiu os migrantes que se encontravam a bordo.

As relações diplomáticas franco-italianas foram postas à prova depois do Presidente francês, Emmanuel Macron, ter criticado o “cinismo e irresponsabilidade” do Governo de Itália por recusar receber o Aquarius.

Para Macron, o governo italiano agiu segundo “uma forma de cinismo e uma parte de irresponsabilidade”, porque “o Direito Marítimo” determina que, “em caso de socorro, é a costa mais próxima que assume a responsabilidade do acolhimento”.

Em resposta, o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, líder da Liga (extrema-direita) exigiu desculpas de França após as declarações de Emmanuel Macron, tendo sido evocada uma eventual anulação da visita que o primeiro-ministro de Itália, Giuseppe Conte, tinha marcada para sexta-feira passada à capital francesa.

Em Paris, o Eliseu, residência oficial do Presidente francês, disse não ter recebido qualquer informação do Governo italiano sobre um pedido de desculpas ou possível anulação da visita de Giuseppe Conte.

A visita de Conte a Paris realizou-se mesmo, tendo o chefe do Governo italiano e o Presidente francês defendido uma “reforma profunda” da relação com os países de origem dos migrantes, através nomeadamente da instalação de centros europeus nesses países que facilitem a regulação do fluxo de chegadas.

Entretanto, a França irá acolher migrantes do Aquarius, depois de uma análise à sua situação em Espanha, anunciou sábado o Governo espanhol.

“O Governo francês colaborará com o Governo espanhol no acolhimento dos migrantes do Aquarius”, anunciou a vice-presidente do executivo espanhol, Carmen Calvo, num comunicado.

O Ministério da Defesa espanhol revelou que, sábado de manhã, o navio-patrulha da Marinha espanhola Vigía iniciou a escolta para o porto de Valência do Aquarius e dos dois navios italianos que têm a bordo os 629 imigrantes resgatados na costa da Líbia.

Mais de 2.300 pessoas constituem o dispositivo de recessão aos 629 migrantes, anunciou a Cruz Vermelha em Valência.

Farão parte do dispositivo coordenado pela Cruz Vermelha, ao longo de todo o fim de semana, mais de um milhar de pessoas, tanto profissionais como voluntários, trabalhando em turnos de 10 a 12 horas.

Segundo o porta-voz da Cruz Vermelha, entre estas 1.000 pessoas estará definido também um grupo de 70 a 100 com formação e preparação para lidar com emergências semelhantes.

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