Primeiro-ministro define mulheres rurais como exemplos de determinação, resiliência e capacidade de trabalho

 

Cidade da Praia, 15 Out (Inforpress) – As mulheres cabo-verdianas, particularmente as do meio rural, são exemplos de determinação, resiliência e capacidade de trabalho, considerou o primeiro-ministro, garantindo que o Governo está a desenvolver acções para compensar os efeitos do mau ano agrícola.

Ulisses Correia e Silva fez essas considerações em declarações à Inforpress a propósito do Dia Internacional da Mulher Rural, que se assinala hoje, 15 de Outubro, este ano sob o lema “Apoiar a Mulher Rural para garantir a Segurança Alimentar e Nutricional”.

Entretanto, reconheceu que os efeitos negativos do mau ano agrícola afectam substancialmente as mulheres do meio rural.

Conforme indicou, o Governo sabe que o mau ano agrícola terá efeitos durante o próximo ano, motivo por que o executivo já está a desenvolver várias acções para compensar esses efeitos negativos, lembrando que foi aproado um programa orçado em mais de 700 mil contos que está sendo mobilizado, prevendo-se a sua execução o “mais breve possível”, como forma de melhorar a perda de rendimento e a perda de produção derivado da situação.

“As mulheres cabo-verdianas, particularmente as que vivem no meio rural, são exemplos de determinação, de resiliência, de capacidade de trabalho e de compensação de rendimentos, e sem a presença e as forças delas seriam muito mais difícil o equilíbrio a nível familiar”, enfatizou Ulisses Correia e Silva.

Em Cabo Verde, para comemorar o Dia Internacional da Mulher Rural, várias actividades estão sendo promovidas, sendo que o acto central acontece este domingo, 15, em São Domingos, com a abertura da feira de exposição de produtos produzidos pelas mulheres rurais, pelas 10:30.

A cerimónia de abertura do evento promovido pelo Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), o Programa de Oportunidades Socioeconómicas Rurais(POSER) e o Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade do Género (ICIEG), terá a participação da primeira-dama, Lígia Fonseca, da coordenadora da ONU Mulheres, Vanilde Furtado e da presidente do ICIEG, Rosana Almeida.

O objectivo da feira é homenagear a mulher rural cabo-verdiana que tem sido, segundo a organização, a “espinha dorsal” da produção de alimentos, nutrição, rendimento familiar e erradicação da pobreza no país.

Para além de São Domingo, o conselho de São Miguel promove também este domingo, uma conversa aberta na localidade de Ribeira de São Miguel, abordando o cenário do mau ano agrícola e organizada pela câmara municipal local, através do pelouro da Formação, Empreendedorismo, Emprego e Género, em parceria com a Rede Parlamentar para a População e Desenvolvimento.

Entretanto, a Comissão Política Regional do Partido Africano para Independência de Cabo Verde (PAICV) de Santiago Norte e a Federação das Mulheres do PAICV, organizaram este sábado, 14, nos Paços do Concelho na cidade de Pedra Badejo, palestras, intercâmbios e testemunhos abordando, também, o tema do mau ano agrícola.

As estatísticas a nível mundial mostram que 43% da população rural que trabalha na agricultura são mulheres e em Cabo Verde essa tendência não é muito diferente, sendo que das 44.450 explorações agrícolas familiares, mais de metade 50.5% são chefiadas por mulheres.

Apesar de todas as conquistas na luta pela igualdade e equidade de gênero, em Cabo Verde a pobreza afecta principalmente mulheres chefes de família (33%), com maior incidência nas áreas rurais (44%) em relação às áreas urbanas (13%).

A data de 15 de Outubro foi instituída pelas Nações Unidas na sua 4ª Conferência sobre a Mulher, realizada em Pequim, China, em 1995, com a finalidade de chamar a atenção da consciência mundial sobre o importante papel da mulher rural no fortalecimento da sociedade, da economia e da família.

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